Curso Online de Vygotsky Básico

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Conceitos básicos de L. Vygotsky

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Conceitos básicos de L. Vygotsky

Psicólogo e Professor Universitário com 32 anos de experiência profissional; Supervisor de "Processos Educativos" - UBC; Mestre em Psicologia da Educação pela PUC/SP; Doutorando em Saúde Coletiva - UNIFESP; Aperfeiçoamento clínico pelo Harlen's Alchool & Drugs Rehabilitation Center/NYC/US; Membro do Centro Britânico de Prevenção e Combate às vítimas de bullying, Horogate, Reino Unido; Formação clínica e pedagógica com Carl R. Rogers.



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  • LEV SEMENOVITCH VYGOTSKY
    Teoria & Conceitos básicos

    COLEÇÃO INICIANDO VOLUME II

  • LEV SEMENOVITCH VYGOTSKY
    Teoria & Conceitos básicos

  • Aqui você vai encontrar uma visão panorâmica dos principais conceitos de Lev Semenovitch Vygotsky A teoria de Vygotsky é ampla e requer uma leitura concentrada, passo a passo. Este curso é a produção gráfica de aulas presenciais ministradas em cursos de psicologia e pedagogia ao longo de muitos anos. Bom estudo !

    Aqui você vai encontrar uma visão panorâmica dos principais conceitos de Lev Semenovitch Vygotsky A teoria de Vygotsky é ampla e requer uma leitura concentrada, passo a passo. Este curso é a produção gráfica de aulas presenciais ministradas em cursos de psicologia e pedagogia ao longo de muitos anos. Bom estudo !

  • SUMÁRIO Biografia Premissas básicas de Vygotsky Natureza humana, Humanização e Processo de Internalização Funções psicológicas superiores Mediação simbólica Pensamento e Linguagem Sentido e Significado Linguagem Escrita Desenvolvimento e Aprendizagem Zona de Desenvolvimento Proximal - ZDP O papel das ideias de Vygotsky na intervenção pedagógica Bibliografia

    SUMÁRIO Biografia Premissas básicas de Vygotsky Natureza humana, Humanização e Processo de Internalização Funções psicológicas superiores Mediação simbólica Pensamento e Linguagem Sentido e Significado Linguagem Escrita Desenvolvimento e Aprendizagem Zona de Desenvolvimento Proximal - ZDP O papel das ideias de Vygotsky na intervenção pedagógica Bibliografia

  • 1. Biografia Lev Semenovitch Vygotsky nasceu em 17 de novembro de 1896 (ou 5 de novembro pelo antigo calendário russo), em Orsha, (antiga Rússia), pequena cidade perto de Minsk, região então dominada pela Rússia (e que só se tornou independente em 1991, com a desintegração da União Soviética, adotando o nome de Bielo-Rússia). É o segundo entre oito irmãos de uma família judia com boa condição financeira, o que estimulou seu ingresso no contexto acadêmico. Seu pai era chefe de departamento de um banco e representante de uma companhia de seguros. Sua mãe era professora formada, mas não exercia a profissão. Cresceu em Gomel (antiga Rússia) e casou-se com Roza Smekhova em 1924, aos 28 anos. Teve duas filhas e morreu vítima da tuberculose em 11 de junho de 1934, aos 37 anos.

    1. Biografia Lev Semenovitch Vygotsky nasceu em 17 de novembro de 1896 (ou 5 de novembro pelo antigo calendário russo), em Orsha, (antiga Rússia), pequena cidade perto de Minsk, região então dominada pela Rússia (e que só se tornou independente em 1991, com a desintegração da União Soviética, adotando o nome de Bielo-Rússia). É o segundo entre oito irmãos de uma família judia com boa condição financeira, o que estimulou seu ingresso no contexto acadêmico. Seu pai era chefe de departamento de um banco e representante de uma companhia de seguros. Sua mãe era professora formada, mas não exercia a profissão. Cresceu em Gomel (antiga Rússia) e casou-se com Roza Smekhova em 1924, aos 28 anos. Teve duas filhas e morreu vítima da tuberculose em 11 de junho de 1934, aos 37 anos.

  • Até os 15 anos de idade estudou em casa, algumas vezes com amigos. Interessou-se muito pelas artes, foi frequentador assíduo de bibliotecas e estudante de línguas, o que lhe permitiu construir uma vasta cultura. Somente em 1911 ingressou em uma instituição escolar e, apesar das dificuldades impostas pelo antissemitismo (naquela época, para cada cem alunos russos somente três vagas eram destinadas aos judeus), formou-se no curso secundário em 1913. Aos 18 anos ingressou na universidade de Moscou, onde estudou Direito e Literatura por três anos (1914 a 1917). Nos trabalhos produzidos nesse período já era possível observar a propriedade com que Vygotsky realizava análises psicológicas, inclusive relacionadas ao efeito da linguagem sobre os processos do pensamento. No mesmo período, estudou história e filosofia.

    Até os 15 anos de idade estudou em casa, algumas vezes com amigos. Interessou-se muito pelas artes, foi frequentador assíduo de bibliotecas e estudante de línguas, o que lhe permitiu construir uma vasta cultura. Somente em 1911 ingressou em uma instituição escolar e, apesar das dificuldades impostas pelo antissemitismo (naquela época, para cada cem alunos russos somente três vagas eram destinadas aos judeus), formou-se no curso secundário em 1913. Aos 18 anos ingressou na universidade de Moscou, onde estudou Direito e Literatura por três anos (1914 a 1917). Nos trabalhos produzidos nesse período já era possível observar a propriedade com que Vygotsky realizava análises psicológicas, inclusive relacionadas ao efeito da linguagem sobre os processos do pensamento. No mesmo período, estudou história e filosofia.

  • Seu interesse pelo desenvolvimento psicológico, principalmente dos indivíduos com necessidades educativas especiais, levou-o a fazer cursos na universidade de medicina em Moscou e posteriormente, em Kharkov. Em 1917, ano da revolução bolchevique, já formado, voltou a Gomel, na Bielo-Rússia. iniciou sua carreira após a revolução, no mesmo ano. Por meio do seu trabalho com a formação de professores, interessou-se pela psicologia acadêmica e, mais especificamente, pelos aspectos do que hoje entendemos por inclusão. Preocupou-se não somente com a reabilitação dos indivíduos com deficiência, mas também com os processos mentais humanos. Lecionou literatura, estética e história da arte. Em 1924 passou a dedicar-se à psicologia mais intensamente e fundou um laboratório para estudos nessa área - que rapidamente ganhou destaque, graças a sua cultura enciclopédica, seu pensamento inovador e sua intensa atividade. Vygotsky produziu mais de 200 trabalhos científicos.

    Seu interesse pelo desenvolvimento psicológico, principalmente dos indivíduos com necessidades educativas especiais, levou-o a fazer cursos na universidade de medicina em Moscou e posteriormente, em Kharkov. Em 1917, ano da revolução bolchevique, já formado, voltou a Gomel, na Bielo-Rússia. iniciou sua carreira após a revolução, no mesmo ano. Por meio do seu trabalho com a formação de professores, interessou-se pela psicologia acadêmica e, mais especificamente, pelos aspectos do que hoje entendemos por inclusão. Preocupou-se não somente com a reabilitação dos indivíduos com deficiência, mas também com os processos mentais humanos. Lecionou literatura, estética e história da arte. Em 1924 passou a dedicar-se à psicologia mais intensamente e fundou um laboratório para estudos nessa área - que rapidamente ganhou destaque, graças a sua cultura enciclopédica, seu pensamento inovador e sua intensa atividade. Vygotsky produziu mais de 200 trabalhos científicos.

  • Ainda em 1924, sua palestra “O método de investigação reflexológica e psicológica”, proferida no II congresso de Psiconeurologia em Leningrado, impressionou a audiência o que lhe rendeu um convite para integrar a equipe do Instituto de Psicologia de Moscou. Lá, Vygotsky trabalhou por dez anos, em colaboração com Alexander Lúria e Aleksey Leontiev, estudando o papel da linguagem, da interação e da cultura no desenvolvimento humano. No mesmo período, ocorreu a morte Lênin, de modo que Stálin assumiu o poder na URSS. Sua gestão despótica impôs fortes limites à produção cultural.

    Ainda em 1924, sua palestra “O método de investigação reflexológica e psicológica”, proferida no II congresso de Psiconeurologia em Leningrado, impressionou a audiência o que lhe rendeu um convite para integrar a equipe do Instituto de Psicologia de Moscou. Lá, Vygotsky trabalhou por dez anos, em colaboração com Alexander Lúria e Aleksey Leontiev, estudando o papel da linguagem, da interação e da cultura no desenvolvimento humano. No mesmo período, ocorreu a morte Lênin, de modo que Stálin assumiu o poder na URSS. Sua gestão despótica impôs fortes limites à produção cultural.

  • Mesmo com poucos anos de produção intelectual em razão de sua morte precoce, Vygotsky deixou textos densos, cheios de ideias, numa mistura de reflexões filosóficas, imagens literárias, proposições gerais e dados de pesquisa que exemplificam essas proposições gerais. Interessou pelo estudo de crianças e adolescentes com deficiência (físicas, sensoriais e mentais), tentando chamar a atenção para as capacidades desses alunos e não as suas deficiências. As conclusões desses estudos foram apresentadas em seu livro “Fundamentos de Defectologia”. Em 1925, organizou o laboratório de psicologia para crianças com deficiência, transformado, em 1929, no Instituto de Estudos da Defectologia. Após sua morte, ficou conhecido como Instituto Científico de Pesquisa sobre Defectologia da Academia de Ciências Pedagógicas. Neste mesmo ano, já vítima da tuberculose, Vygotsky publicou a psicologia da arte, um estudo sobre William Shakespeare, que teve origem em sua tese de mestrado.

    Mesmo com poucos anos de produção intelectual em razão de sua morte precoce, Vygotsky deixou textos densos, cheios de ideias, numa mistura de reflexões filosóficas, imagens literárias, proposições gerais e dados de pesquisa que exemplificam essas proposições gerais. Interessou pelo estudo de crianças e adolescentes com deficiência (físicas, sensoriais e mentais), tentando chamar a atenção para as capacidades desses alunos e não as suas deficiências. As conclusões desses estudos foram apresentadas em seu livro “Fundamentos de Defectologia”. Em 1925, organizou o laboratório de psicologia para crianças com deficiência, transformado, em 1929, no Instituto de Estudos da Defectologia. Após sua morte, ficou conhecido como Instituto Científico de Pesquisa sobre Defectologia da Academia de Ciências Pedagógicas. Neste mesmo ano, já vítima da tuberculose, Vygotsky publicou a psicologia da arte, um estudo sobre William Shakespeare, que teve origem em sua tese de mestrado.

  • Muito influenciado pelo pensamento dialético, Vygotsky se preocupou em compreender a construção do sujeito na e pela interação com o meio físico e social. Nessa perspectiva, fez grandes contribuições à educação entre as décadas de 20 e 30, momento em que centrou suas pesquisas nas questões psicológicas, biológicas e antropológicas do desenvolvimento infantil. Ele compreendia o desenvolvimento como sendo historicamente construído devido à interação humana requerer a utilização de instrumentos físicos (como o machado) e simbólicos (como a fala humana).

    Muito influenciado pelo pensamento dialético, Vygotsky se preocupou em compreender a construção do sujeito na e pela interação com o meio físico e social. Nessa perspectiva, fez grandes contribuições à educação entre as décadas de 20 e 30, momento em que centrou suas pesquisas nas questões psicológicas, biológicas e antropológicas do desenvolvimento infantil. Ele compreendia o desenvolvimento como sendo historicamente construído devido à interação humana requerer a utilização de instrumentos físicos (como o machado) e simbólicos (como a fala humana).

  • Em menos de 38 anos de vida, Vygotsky conheceu momentos políticos drasticamente diferentes, que tiveram forte influência em seu trabalho. Nascido sob o regime dos czares russos, ele acompanhou de perto, como estudante e intelectual, os acontecimentos que levaram à revolução socialista de 1917. O período que se seguiu foi marcado, entre outras coisas, por um clima de efervescência intelectual, com a abertura de espaço para as vanguardas artísticas e o pensamento inovador nas ciências, além de uma preocupação em promover políticas educacionais eficazes e abrangentes.

    Em menos de 38 anos de vida, Vygotsky conheceu momentos políticos drasticamente diferentes, que tiveram forte influência em seu trabalho. Nascido sob o regime dos czares russos, ele acompanhou de perto, como estudante e intelectual, os acontecimentos que levaram à revolução socialista de 1917. O período que se seguiu foi marcado, entre outras coisas, por um clima de efervescência intelectual, com a abertura de espaço para as vanguardas artísticas e o pensamento inovador nas ciências, além de uma preocupação em promover políticas educacionais eficazes e abrangentes.


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  • Aqui você vai encontrar uma visão panorâmica dos principais conceitos de Lev Semenovitch Vygotsky A teoria de Vygotsky é ampla e requer uma leitura concentrada, passo a passo. Este curso é a produção gráfica de aulas presenciais ministradas em cursos de psicologia e pedagogia ao longo de muitos anos. Bom estudo !
  • SUMÁRIO Biografia Premissas básicas de Vygotsky Natureza humana, Humanização e Processo de Internalização Funções psicológicas superiores Mediação simbólica Pensamento e Linguagem Sentido e Significado Linguagem Escrita Desenvolvimento e Aprendizagem Zona de Desenvolvimento Proximal - ZDP O papel das ideias de Vygotsky na intervenção pedagógica Bibliografia
  • 1. Biografia Lev Semenovitch Vygotsky nasceu em 17 de novembro de 1896 (ou 5 de novembro pelo antigo calendário russo), em Orsha, (antiga Rússia), pequena cidade perto de Minsk, região então dominada pela Rússia (e que só se tornou independente em 1991, com a desintegração da União Soviética, adotando o nome de Bielo-Rússia). É o segundo entre oito irmãos de uma família judia com boa condição financeira, o que estimulou seu ingresso no contexto acadêmico. Seu pai era chefe de departamento de um banco e representante de uma companhia de seguros. Sua mãe era professora formada, mas não exercia a profissão. Cresceu em Gomel (antiga Rússia) e casou-se com Roza Smekhova em 1924, aos 28 anos. Teve duas filhas e morreu vítima da tuberculose em 11 de junho de 1934, aos 37 anos.
  • Até os 15 anos de idade estudou em casa, algumas vezes com amigos. Interessou-se muito pelas artes, foi frequentador assíduo de bibliotecas e estudante de línguas, o que lhe permitiu construir uma vasta cultura. Somente em 1911 ingressou em uma instituição escolar e, apesar das dificuldades impostas pelo antissemitismo (naquela época, para cada cem alunos russos somente três vagas eram destinadas aos judeus), formou-se no curso secundário em 1913. Aos 18 anos ingressou na universidade de Moscou, onde estudou Direito e Literatura por três anos (1914 a 1917). Nos trabalhos produzidos nesse período já era possível observar a propriedade com que Vygotsky realizava análises psicológicas, inclusive relacionadas ao efeito da linguagem sobre os processos do pensamento. No mesmo período, estudou história e filosofia.
  • Seu interesse pelo desenvolvimento psicológico, principalmente dos indivíduos com necessidades educativas especiais, levou-o a fazer cursos na universidade de medicina em Moscou e posteriormente, em Kharkov. Em 1917, ano da revolução bolchevique, já formado, voltou a Gomel, na Bielo-Rússia. iniciou sua carreira após a revolução, no mesmo ano. Por meio do seu trabalho com a formação de professores, interessou-se pela psicologia acadêmica e, mais especificamente, pelos aspectos do que hoje entendemos por inclusão. Preocupou-se não somente com a reabilitação dos indivíduos com deficiência, mas também com os processos mentais humanos. Lecionou literatura, estética e história da arte. Em 1924 passou a dedicar-se à psicologia mais intensamente e fundou um laboratório para estudos nessa área - que rapidamente ganhou destaque, graças a sua cultura enciclopédica, seu pensamento inovador e sua intensa atividade. Vygotsky produziu mais de 200 trabalhos científicos.
  • Ainda em 1924, sua palestra “O método de investigação reflexológica e psicológica”, proferida no II congresso de Psiconeurologia em Leningrado, impressionou a audiência o que lhe rendeu um convite para integrar a equipe do Instituto de Psicologia de Moscou. Lá, Vygotsky trabalhou por dez anos, em colaboração com Alexander Lúria e Aleksey Leontiev, estudando o papel da linguagem, da interação e da cultura no desenvolvimento humano. No mesmo período, ocorreu a morte Lênin, de modo que Stálin assumiu o poder na URSS. Sua gestão despótica impôs fortes limites à produção cultural.
  • Mesmo com poucos anos de produção intelectual em razão de sua morte precoce, Vygotsky deixou textos densos, cheios de ideias, numa mistura de reflexões filosóficas, imagens literárias, proposições gerais e dados de pesquisa que exemplificam essas proposições gerais. Interessou pelo estudo de crianças e adolescentes com deficiência (físicas, sensoriais e mentais), tentando chamar a atenção para as capacidades desses alunos e não as suas deficiências. As conclusões desses estudos foram apresentadas em seu livro “Fundamentos de Defectologia”. Em 1925, organizou o laboratório de psicologia para crianças com deficiência, transformado, em 1929, no Instituto de Estudos da Defectologia. Após sua morte, ficou conhecido como Instituto Científico de Pesquisa sobre Defectologia da Academia de Ciências Pedagógicas. Neste mesmo ano, já vítima da tuberculose, Vygotsky publicou a psicologia da arte, um estudo sobre William Shakespeare, que teve origem em sua tese de mestrado.
  • Muito influenciado pelo pensamento dialético, Vygotsky se preocupou em compreender a construção do sujeito na e pela interação com o meio físico e social. Nessa perspectiva, fez grandes contribuições à educação entre as décadas de 20 e 30, momento em que centrou suas pesquisas nas questões psicológicas, biológicas e antropológicas do desenvolvimento infantil. Ele compreendia o desenvolvimento como sendo historicamente construído devido à interação humana requerer a utilização de instrumentos físicos (como o machado) e simbólicos (como a fala humana).
  • Em menos de 38 anos de vida, Vygotsky conheceu momentos políticos drasticamente diferentes, que tiveram forte influência em seu trabalho. Nascido sob o regime dos czares russos, ele acompanhou de perto, como estudante e intelectual, os acontecimentos que levaram à revolução socialista de 1917. O período que se seguiu foi marcado, entre outras coisas, por um clima de efervescência intelectual, com a abertura de espaço para as vanguardas artísticas e o pensamento inovador nas ciências, além de uma preocupação em promover políticas educacionais eficazes e abrangentes.
  • Assim, acompanhando o momento de transformação e estruturação científica pós-revolução na Rússia, Vygotsky direcionou seu trabalho na busca de uma psicologia transformadora. Neste período, existia uma grande influência das correntes de pensamento inatistas e empiristas, as quais defendiam a ideia da psicologia ser entendida como uma ciência natural. Coexistiam, também, as correntes da psicologia “espiritual”, baseadas na filosofia idealista, que acreditava que a psicologia não era passível de ser estudada pela ciência objetiva, uma vez que seu objeto de estudo eram os processos mentais. Vygotsky percebia incoerências entre essas duas propostas de psicologia e, com base no pensamento materialista-histórico-dialético de Marx, propôs-se tanto a descrever como a explicar as funções psicológicas superiores, formulando uma teoria sócio-histórica e cultural do intelecto humano.
  • Na construção desta nova psicologia, ele teve o apoio de Alexander Romanovich Luria e Alexei Nikolaievich Leontiev, com quem formou um grupo de pesquisa e produção de conhecimento que ficou conhecido como “troika”. Os integrantes da troika, conhecedores de muitos idiomas, traduziram muitos dos conhecimentos científicos produzido em outros lugares, possibilitando que os intelectuais russos tivessem acesso a esse material. Este grupo teve grandes progressos na defesa da tese que o pensamento humano é mediado pela cultura, sendo a linguagem o principal instrumento de mediação. Esta nova abordagem psicológica buscava considerar o biológico como suporte das funções psicológicas, as quais, por sua vez, são construídas na e por intermédio das interações mantidas entre o indivíduo e seu mundo físico e social, de sorte que a relação homem-mundo é necessariamente mediada pelos sistemas simbólicos. A parceria com Luria e Leontiev durou de uma década, até as vésperas da morte de Vygotsky.
  • Além da influência dos pensadores do materialismo-histórico-dialético (como Marx e Engels, Lênin etc.) Vygotsky também estudou pensadores vinculados a outras correntes teóricas, como o behaviorismo (Pavlov e Watson) e a teoria da Gestalt (Koffka, Kurt Lewin), entre outras. apesar de nunca ter se encontrado com Jean Piaget, Vygotsky conhecia profundamente suas ideias, interessando-se pela produção piagetiana acerca dos processos cognitivos individuais e a gênese dos processos psicológicos. Teceu críticas ao pensamento piagetiano, das quais Piaget tomou ciência somente após a morte de Vygotsky. A principal delas se refere à compreensão de como se dá o vetor do desenvolvimento, a relação desenvolvimento e aprendizagem e o papel da linguagem na constituição do humano. Vygotsky, por sua vez, creditava um grande e importante papel à interação social e à mediação de instrumentos físicos e simbólicos.
  • Por um longo período após a morte de Vygotsky, sua obra foi proibida na Rússia pelo regime stalinista, que passou a perseguir todos, sob suspeita de dissidência, intelectuais e cientistas notadamente. As ideias de Vygotsky foram consideradas subversivas pela doutrina stalinista, devido a seu conteúdo ideológico “burguês”. Isso fez com que em 1933 ele fosse interrogado por uma comissão de investigação. Nesta época, Vygotsky era ignorado pelo ocidente, que se encontrava, então, muito influenciado pelos ideais pavlovianos. Sua obra foi redescoberta apenas em 1956. Em 1962, seu livro Pensamento e Linguagem foi publicado nos Estados Unidos. Entre os anos de 1982 e 1984, foi publicada a edição das obras completas de Vygotsky na URSS.
  • NO BRASIL Vygostky ganhou espaço a partir de 1984, com a publicação de “A formação social da mente”. Em 1987 “Pensamento e linguagem” Em 1988 “Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar”
  • 2. Premissas básicas de Vygotsky   Vygotsky, Luria e Leontiev buscavam a construção de uma síntese entre duas fortes tendências presentes na psicologia do início do século: a psicologia como ciência natural e a psicologia como ciência mental. Enquanto a psicologia como ciência natural buscava explicar os processos elementares sensoriais e reflexos – tomando o homem basicamente como um organismo – a psicologia como ciência mental tinha como meta a descrição das propriedades dos processos psicológicos superiores, tomando o homem como mente, consciência e espírito.
  • Buscando uma abordagem alternativa, Vygotsky e seus colaboradores explicitaram algumas ideias consideradas elementares em sua teoria: 1 – As funções psicológicas têm um suporte biológico, pois são produtos da atividade cerebral; 2 – O funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior; 3 – As relações sociais desenvolvem-se num processo histórico; 4 – A relação do homem com o mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos.
  • Partindo dessas premissas, Vygotsky construiu sua teoria. Para ele, o desenvolvimento do indivíduo era resultado de um processo sócio histórico, que só poderia ser estudado levando-se em conta a filogênese (história da espécie), a sócio gênese (a constituição dos primeiros seres humanos, enfatizando o papel que aí teve a interação e a linguagem) a ontogênese (história pessoal dos indivíduos em estudo) e a micro gênese (origem e desenvolvimento das funções psicológicas superiores). Sua teoria ficou conhecida como sócio-histórica, histórica-cultural ou ainda sócio-interacionista.
  • Para Vygotsky, o funcionamento psicológico estrutura-se a partir das relações estabelecidas entre o indivíduo e o mundo físico e social em que vive. Tais interações se dão, portanto, em um contexto histórico e social, no qual a cultura desempenha um papel fundamental, fornecendo ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade. Isto permite ao homem impor certa ordem ao mundo real e também interpretá-lo. Desta forma, o desenvolvimento psicológico não pode ser visto como um processo abstrato, descontextualizado ou universal.
  • A cultura é elemento essencial na constituição do ser humano, de modo que é possível afirmar que não existe uma natureza humana e, sim, uma condição humana, posto que nascer membro da espécie humana não assegura sua pertença à humanidade. De fato, para tornar-se humano, o bebê precisa passar por um processo de humanização, ou seja, que deixe de ser exclusivamene biológico para ser um ser humano social e historicamente situado: Um ser que além de biológico é, também, sócio-histórico. A importância da cultura deve-se portanto, ao fato de ser ela constitutiva do ser humano, ou seja, ela é, em grande parte, responsável pelas características tipicamente humanas.
  • 2.1 – Natureza Humana, Humanização e Processo de Internalização.   Uma das teses da teoria de Vygotsky refere-se à definição da natureza humana. Ele defendeu que, diferentemente das outras espécies, o homem nasce com um aparato biológico muito frágil para enfrentar a sobrevivência. O bebê humano é extremamente dependente dos cuidados de um outro ser humano e, quando isso não acontece, raramente muito frágil ele sobrevive. Alguns episódios isolados da história relatam que seres humanos foram criados por animais de outras espécies, adquirindo suas características (e não as humanas) e suas formas de interação com o mundo. Eram membros da espécie humana, mas não seres humanos. Eram, em termos de comportamento e reações, animais.
  • Assim, a condição humana não tem um caráter inato e também não é somente resultado da relação do homem com o meio, esta condição, vista a partir do pensamento dialético da relação homem/mundo é constituída a partir da interação do indivíduo com seu meio físico e social. Dessa forma, pode-se dizer que a relação estabelecida entre homem e mundo é de natureza dialética, posto que o meio físico e social constitui o homem, na mesma medida em que esse último constitui o meio físico e social. Daí o fato de se dizer que não existe “em si” uma natureza humana e, sim, uma condição humana resultante do processo de humanização, característica específica da espécie.
  • Vygotsky, consistente com os princípios do materialismo dialético, não faz distinção entre corpo e alma: O cérebro, para ele, é a base material que permite a construção do humano. O cérebro humano, portanto, é tido como o principal órgão responsável pela atividade mental, um sistema aberto de grande plasticidade, cuja estrutura e modos de funcionamento são constituídos ao longo da história da espécie, da sócio gênese e do desenvolvimento individual.
  • Essa transformação do organismo humano em sujeito humanizado se dá por meio da interação entre os homens e destes com seu entorno, o meio físico. Tal interação resulta na construção da cultura que, por sua vez, cria o padrão de interação dos seres humanos. É pela apropriação da cultura que os seres humanos se humanizam e humanizados, produzem cultura. No contexto da interação com o mundo físico e social, o indivíduo apropria-se dos modos de ser, pensar e sentir dos outros homens, tornando-os seus. A esta apropriação de características do outro, Vygotsky denominou “processo de internalização”.
  • 2.2 – Funções psicológicas superiores Antes de entendermos o papel das funções psicológicas superiores, cabe definir funções psicológicas elementares. As funções psicológicas elementares referem-se ao aparato biológico próprio da espécie humana: reflexos, ações e reações (de origem biológicas, imediatas e involuntárias.). Com a atividade prática e instrumental que se dá na (e pela) interação com o outro, as funções psicológicas elementares são reestruturadas e dessa reorganização surgem as funções psicológicas superiores (que têm, portanto, caráter social, são mediadas pelos outros e voluntárias), como a memória intencional, a atenção consciente, a inteligência representada, etc. Assim, para Vygotsky, as características tipicamente humanas resultam da interação dialética entre o indivíduo e seu meio físico e sociocultural, já que as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do individuo.
  • Portanto, diferentemente das funções elementares, as funções psicológicas superiores não são inatas: resultam do desenvolvimento social e cultural. é preciso destacar, no entanto, que as funções psicológicas elementares não deixam de existir com o surgimento das funções psicológicas superiores, visto existir entre elas uma articulação contínua. Os mecanismos psicológicos mais complexos – as funções psicológicas superiores - estão ligados ao controle voluntário do comportamento e à ação intencional. É assim, ao longo do processo de construção das funções psicológicas superiores, que o indivíduo se humaniza, posto que elas implicam, necessariamente, na formação de um plano psicológico. Cabe ressaltar, no entanto, que o plano psicológico não é mera cópia do mundo externo: o sujeito, ao se apropriar dos modos de ser, pensar e sentir dos seres humanos com os quais convive, ativamente seleciona, filtra, interpreta e deforma a realidade externa.
  • Nesse sentido, os seres humanos são únicos, posto que eles efetivamente constroem suas próprias formas de ser, pensar e sentir. dessa forma, a interação sempre resulta em transformações no que estava posto que, por sua vez, quando modificado, modifica os sujeitos em interação. Para compreender melhor o papel que as funções psicológicas superiores exercem em relação ao sujeito, é possível analisar o comportamento de uma pessoa que, por exemplo, precisa lembrar-se de algo. Ações como mudar o anel do dedo, dar um nó no lenço, fazer uma marca de caneta na mão, entre outras, revelam que todas essa ações foram feitas de forma deliberada, para justamente, servirem para levar o sujeito a se lembrar.
  • 2.3 – Mediação Simbólica   A compreensão das funções psicológicas passa pela compreensão da relação entre características biológicas e culturais. Vigotsky, influenciado pelas ideias de Karl Marx, observou que a origem das funções psicológicas e das habilidades especificamente humanas encontra-se no trabalho, ou seja, às atividades ligadas à sobrevivência. Ao se juntar aos outros homens (para reproduzir a espécie e para reproduzir sua própria vida, o homem criou instrumentos físicos, voltados para a transformação da natureza a serviço de suas necessidades. Criou, também, para poder trabalhar, a linguagem, instrumento simbólico que permite ao homem transformar a si mesmo e ao outro. Com a invenção dos instrumentos, tornou-se possível ao homem acumular conhecimentos e transmiti-los às gerações seguintes.
  • O conceito de mediação é central na compreensão das concepções vygotskianas sobre o funcionamento psicológico e pode, em termos gerais, ser definido como a intervenção de um elemento intermediário numa relação, fazendo com que essa relação deixe de ser direta e passe a ser mediada por esse elemento. Ou seja, o homem não tem acesso direto aos objetos: é só por meio dos sistemas simbólicos que ele apreende o mundo a sua volta. Os elementos desta mediação são os instrumentos físicos e os simbólicos, mais precisamente, os signos. Deve-se lembrar que existem várias linguagem que atuam como instrumentos simbólicos: a linguagem da matemática, a da música, a da coreografia, a das diversas artes, etc.
  • Os instrumentos são elementos interpostos entre o trabalhador e o objeto de seu trabalho, construídos para dar conta de objetivos específicos, tidos, em determinado momento histórico, como necessários. A vassoura, por exemplo, limpa melhor que a mão humana; a panela permite armazenamento de alimento, a pá permite lavrar a terra etc. Aalém de criar os instrumentos, o homem é capaz de preservá-los e transformá-los de acordo com suas necessidades, aperfeiçoando-os e/ou construindo outros. Os signos funcionam de maneira análoga aos instrumentos, mas não se dirigem à natureza: interferem no próprio homem e em seus semelhantes, no plano psicológico portanto, auxiliando o armazenamento de informações e a generalização dos conceitos elaborados pela cultura humana. Funcionam como instrumentos da atividade psicológica, tal como um instrumento físico atua na natureza.
  • Ao ser criado, o instrumento já carrega em si o significado de sua função social, estabelecendo a relação entre o indivíduo e o mundo. É, portanto, um elemento externo ao homem. os signos, por sua vez, são instrumentos de atividades psicológicas, auxiliares na solução de problemas, voltados para o interior do sujeito. o uso de signos permite maior capacidade de atenção, memória, intencionalidade, além de controle do próprio sujeito sobre sua atividade. Os signos permitem o abandono de marcas externas, ao formarem representações do real, que podem ser internamente trabalhadas. Nesse sentido, os signos são constitutivos da consciência, podendo-se mesmo dizer que a estrutura da consciência é sígnica.
  • “Ao longo do processo de desenvolvimento, o indivíduo deixa de necessitar de marcas externas e passa a utilizar signos internos, isto é, representações mentais que substituem os objetos do mundo real”.
  • Vygotsky dedicou muito de sua pesquisa ao que ele entendeu como o signo mais importante e fundamental na mediação de todos os grupos humanos, a linguagem: “A linguagem é um signo mediador por excelência, pois ela carrega em si os conceitos generalizados e elaborados pela cultura humana” O sistema de linguagem é a principal forma de mediação simbólica Os sistemas simbólicos (entendidos como sistemas de representação da realidade), especialmente a linguagem, funcionam como elementos mediadores que permitem a comunicação entre os indivíduos, o estabelecimento de significados compartilhados por determinado grupo cultural, a percepção e interpretação dos objetos, eventos e situações do mundo circundante. É por essa razão que Vygotsky afirma que os processos de funcionamento mental do homem são fornecidos pela cultura, através da mediação simbólica.
  • 2.4 – Pensamento e Linguagem  Vygotsky confere à linguagem papel de destaque no processo de organização do pensamento. De fato, os processos mentais superiores que caracterizam o pensamento humano são controlados, voluntários, memorizados, abstratos e intencionais. Sobretudo, o pensamento só se torna possível via sistemas simbólicos. Os sistemas simbólicos são linguagens; o pensamento, por sua vez, opera via linguagem. É por meio da linguagem que o intercâmbio entre os indivíduos ocorre e que o sujeito consegue abstrair do real suas características distintivas, criando conceitos, ou seja, generalizações: A linguagem simplifica e generaliza a experiência, ordenando as instâncias do mundo real, agrupando todas as ocorrências de uma mesma classe de objetos, eventos, situações, sob uma mesma categoria conceitual cujo significado é compartilhado pelos usuários dessa linguagem
  • Dessa forma pode-se entender que a linguagem, como sistema simbólico de todos os grupos humanos, cumpre algumas funções centrais: o intercâmbio social (a comunicação), o planejamento da conduta (pensamento generalizante) e sua regulação. A função de intercâmbio social possibita ao homem se comunicar com seus semelhantes. Essa função encontra-se presente, ainda que de maneira rudimentar, já nos bebês, que mesmo antes de aprenderem a falar são capazes de transmitir seus desejos e estados emocionais aos adultos, utilizando sons, gestos e expressões. Assim, a linguagem torna-se um instrumento do pensamento, permitindo, via conceitos, que esse opere .
  • Embora o pensamento e a liguagem tenham origens diferentres e se desenvolvam de modo independente, em um determinado momento do desenvolvimento ontogenético, essas duas trajetórias se unem: com isso, o pensamento torna-se verbal e a linguagem racional. Antes do surgimento da associação do pensamento com a linguagem, a criança passa por uma fase pré-verbal no desenvolvimento do pensamento e uma fase pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem. Na primeira, a criança resolve problemas do aqui e do agora, uma vez que faltam-lhe instrumentos simbólicos para representar o real. Na segunda, a criança emprega vocalizações (choro, riso, balbucio, etc.) para garantir o atendimento de suas necessidades básicas. Nesse sentido, a função comunicativa da linguagem já está presente: é interpretando tais vocalizações que os adultos acabam por propiciar à criança alívio emocional, alimentação, conforto etc.
  • O processo de apropriação da linguagem ocorre de maneira gradual, passando por algumas etapas: a) A social, que permite a comunicação do bebê com seu entorno, via significação atribuída às vocalizações das crianças por parte dos adultos. Essa fase é social porque permite a existência de uma efetiva comunicação entre a criança e os outros ao seu redor; b) A fase egocêntrica, em que aparentemente a criança fala para si mesma, tanto que a fala vai perdendo suas características( o plano fonológico e o gramatical), tornando-se fragmentada, sussurrada, até finalmente “submergir”, dando origem à fala interior Como pode ser visto, para Vygotsky, a fala egocêntrica nada mais é do que uma estratégia de transição, encaminhando-se para a fala interior que, ao cruzar com o pensamento, dará origem ao pensamento verbal. dessa maneira, a transição consiste no fato de que a fala egocêntrica aponta para seu futuro (a fala interior), mas ainda mantém a forma da fala socializada, que é externa.
  • Vygotsky acreditava que o desenvolvimento do pensamento e da linguagem segue um percurso que vai da atividade social (inter-psíquica) para a atividade individual (intrapsíquica). Fundamenta sua concepção na observação de que primeiramente a criança utiliza a fala socialmente, visando manter contatos sociais; e somente em um segundo momento, em etapas mais avançadas do seu desenvolvimento, passa a utilizar a linguagem como instrumento de pensamento. A esse fenômeno, Vygotsky chamou de internalização da fala, que dá origem à fala interior.
  • 2.4.1. sentido e significado Toda interação envolve o processo de significação, ou de atribuição de sentidos e significados. entende-se por sentidos as múltiplas interpretações que os sujeitos, em função de suas histórias de vida, podem atribuir a um evento, fato, situação. O sentido é necessariamente idiossincrático, particular, único. Já o significado indica uma zona de acordo entre os sujeitos em interação: é socialmente compartilhado, acordado, dicionarizado. Assim, toda vez que há interação, existe, concomitantemente, o processo de significação: a atribuição, por parte dos sujeitos envolvidos, de sentido da interação. Como os sentidos são particulares, há a necessidade de negociá-los, de modo a assegurar a eficácia da comunicação: surgem então os significados, cuja principal característica, conforme dito anteriormente, é ser partilhado.
  • Em síntese: Os sistemas complexos de linguagem envolvem sentidos e significados. Sentido pode ser entendido como a apreensão individual do mundo físico e social, das relações que neles se passam. É, assim, intrínseco ao sujeito e, portanto, idiossincrático. Os sentidos variam entre os indivíduos, porque são construídos por vivências distintas, próprias de cada sujeito, inseridos (ou não) em um mesmo contexto. Já os significados são acordados entre os sujeitos, deixam de ser sentidos particulares, para serem partilhados. nesse sentido, os significados nada mais são do que zonas mais estáveis (porque acordadas, compartidas) de sentidos.
  • 2.4.2. linguagem escrita A escrita surge da necessidade de se comunicar com um interlocutor ausente, exigindo, portanto, a reconstrução da situação que se pretende comunicar, uma vez que ela não foi partilhada pelos envolvidos. a construção da escrita permitiu, ainda, aumentar a capacidade da memória de registrar informações e o acúmulo da experiência humana. trata-se de um sistema de representação da realidade extremamente sofisticado. inicialmente, a escrita pode ser concebida como sendo um sistema de segunda ordem, que representa não as coisas em si, mas sim as palavras. Nesse sentido, a linguagem oral é um sistema de primeira ordem: Representa o próprio mundo físico e social. À medida em que se ganha desenvoltura na escrita, ela deixa de fazer uso da mediação da linguagem oral, para se referir diretamente ao mundo físico e social, tornando-se um sistema de primeira ordem.
  • 2.5. Desenvolvimento e Aprendizagem.   Vygotsky enfatiza, em sua obra, a importância dos processos de aprendizado: “Um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”. Essa concepção evidencia a ênfase de Vygotsky nos processos sócio-históricos, uma vez que o conceito de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo: aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre essas pessoas.
  • 2.5. Desenvolvimento e Aprendizagem.   Vygotsky ressalta, em seus postulados, que os processos de aprendizagem e os de desenvolvimento mantêm uma interação constante: ao aprender algo novo, a criança consolida funções psicológicas superiores que se encontravam em processo de maturação e essas novas funções, por terem maturado, permitem novas aprendizagens. dessa forma, foi o primeiro autor a apontar a interdependência dos dois processos. claro fica que a criança poderia, sozinha, vir a descobrir, por si só, qual é o uso social do copo, por exemplo. mas isso levaria um enorme tempo. dessa forma, o autor apregoa que a aprendizagem é mais eficiente quando se dá pela mediação de outros adultos ou de outras crianças mais experientes.
  • 2.5.1. Zona de Desenvolvimento Proximal - ZDP Estudando o desenvolvimento infantil, Vygotsky definiu dois níveis de desenvolvimento: o nível de desenvolvimento real, que indica as conquistas que a criança já alcançou, ou seja, os processos de desenvolvimento já completados e consolidados; e o nível de desenvolvimento proximal, que define aquilo que a criança pode vir a fazer, se contar com ajuda entre esses dois níveis de desenvolvimento - o real e o próximo ou proximal - Vygotsky postula a existência de uma Zona De Desenvolvimento Proximal: É a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento próximo, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes.
  • Esse desenvolvimento avançado permite, por sua vez, que novas aprendizagens sejam feitas, levando à constituição de novas funções psicológicas, que permitirão novas aprendizagens e assim sucessivamente. Para Vygotsky, a aprendizagem, se bem organizada, conduz o desenvolvimento da criança, de modo que se pode dizer que o desenvolvimento é socialmente conduzido.
  • Aquilo que é Zona de Desenvolvimento Proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã – ou seja, aquilo que uma criança pode fazer com assistência hoje, ela será capaz de fazer sozinha amanhã” Dessa forma, entende-se que a Zona De Desenvolvimento Proximal é um conceito que implica a ideia de algo em constante transformação, importante por indicar o caminho que o indivíduo deve percorrer para avançar em seu desenvolvimento. Dessa forma, pode-se dizer que o desenvolvimento é socialmente dirigido, por meio do ensino de adultos ou companheiros mais avançados: a aprendizagem de algo novo, pela mediação do outro, leva à construção de funções psicológicas que estavam prestes a se constituírem, fazendo com que o desenvolvimento avance
  • 3. O papel das ideias de Vygotsky na intervenção pedagógica   Embora Vygotsky nunca tenha proposto metodologias e práticas pedagógicas, as implicações das suas ideias no ensino são evidentes: “se o aprendizado impulsiona o desenvolvimento, então a escola tem um papel essencial na construção do ser psicológico adulto dos indivíduos que vivem em sociedades escolarizadas” Mas o desempenho desse papel só se dará adequadamente quando, conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos, a escola dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos, funcionando realmente como um motor de novas conquistas psicológicas”
  • Cabe à escola fazer a criança avançar na sua compreensão do mundo a partir do desenvolvimento já consolidado, tendo como meta novas conquistas psicológicas. desta forma, o papel do professor é o de intervir na zona de desenvolvimento proximal, provocando aprendizagens que, por sua vez, vão fazer avançar o desenvolvimento, algo que não ocorreria espontaneamente naquele momento. A própria concepção de Zona De Desenvolvimento Proximal explicita a importância da intervenção deliberada dos membros mais experientes da cultura no aprendizado das crianças. O professor, ao intervir na Zona de Desenvolvimento Proximal, esta interferindo deliberada e intencionalmente, no processo de desenvolvimento humano.
  • A intervenção do professor tem, portanto, papel fundamental na trajetória discente: “O professor tem o papel explícito de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos, provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente. o único bom ensino, afirma Vygotsky, é aquele que se adianta ao desenvolvimento” Assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem. O professor tem o papel explícito de interferir nesse processo, posto que ele não atua em situações informais, nas quais a criança aprende por estar imersa em um ambiente cultural. Ao professor, a quem é delegada a função de levar seus alunos a se apropriarem das conquistas das gerações anteriores, compete interferir na ZDP de seus alunos, propiciando, via aprendizagem, avanços em seu desenvolvimento (cognitivo, afetivo, social e motor)
  • Mas Vygotsky não delegava exclusivamente ao professor a responsabilidade de intervir na zona de desenvolvimento proximal da criança. Considerava também o papel de outras crianças e dos demais membros da sociedade, uma vez que sempre se pode aprender na assimetria que caracteriza muitas das modalidades de interação social. Se a aprendizagem ocorrer, ela necessariamente levará ao avanço do desenvolvimento, que irá permitir, por sua vez, outras aprendizagens. quando a criança está fora da escola, ela também está aprendendo e, portanto, desenvolvendo-se. aos conhecimentos adquiridos em situações informais (tais como a família, a rua, a igreja, a comunidade etc.), de maneira não sistemática, dá-se o nome de conceito cotidiano. Já os conhecimentos adquiridos por meio de um ensino sistemático, regular e intencional, como o que se processa na escola, recebe o nome de conceitos científicos.
  • Uma das tarefas do professor é saber que a criança, quando chega à escola já tem uma série de conceitos cotidianos (adquiridos informalmente), que por terem como origem a experiência da própria criança, são bastante concretos. os conceitos científicos, por sua vez, são mediados por uma intencionalidade educativa (são explicados pelo professor) e, como não se referem à experiência direta das crianças, são muito abstratos (distantes do real vivido). Cabe ao professor integrar os conceitos cotidianos e os científicos, de modo que os primeiros, até então isolados uns dos outros, ganhem inserção em um sistema conceitual e os segundos concretude. Assim, como exemplo, uma criança conhece gato, coelho, passarinho, cobra, formiga, pulga. Mas não percebe que todos eles são seres vivos e animais, alguns vertebrados outros não, alguns mamíferos, outros herbívoros.
  • O sistema conceitual dos seres vivos, extremamente abstrato, ganha concretude ao se apoiar nos animais conhecidos: um ser vivo, herbívoro e invertebrado é a formiga. o conceito cotidiano, por sua vez, ganha inserção no sistema conceitual: gato e coelho são seres vivos, vertebrados e mamíferos. por esse motivo, são diferentes da formiga ou da pulga. Ao atuar na zona de desenvolvimento proximal, o educador vai mediar o aprendizado no sentido de levar o nível de desenvolvimento proximal de seus alunos a se converter em nível de desenvolvimento real, criando um novo nível de desenvolvimento proximal, a ser convertido em real pela atuação do docente na ZDP. E assim sucessivamente.
  • Bibliografia   Alvares, Amélia e Rio, Pablo Del. Educação e Desenvolvimento: A teoria de Vygotsky e a zona de desenvolvimento próximo. In Coll, César; Palacios, Jesús; Marchesi, Álvaro. Desenvolvimento psicológico da educação. Porto alegre: artes médicas, 1996.   Baquero, Ricardo. Vygotsky e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.   Cegalla, D. P. Dicionário escolar da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.   Davis, C.; Oliveira, z. Psicologia da educação. São Paulo. 2ª ed. Rev. Cortez, 1994.   Davis, C. Piaget ou Vygotsky: uma falsa questão. Revista Viver: mente e cérebro, coleção memória da pedagogia: Lev S. Vygotsky. São Paulo, segmento dueto, n. 2, 2005.  
  • Oliveira, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2004.   Rego, t. C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, 17ª ed. Vozes, 1997.   Rego, T.C.R; Placco, v. (Org.) Psicologia & educação: revendo contribuições. São Paulo: EDUC, 2000.   Sousa, Solange j. Infância e linguagem: Bakhtin, Vygotsky e Benjamin. Campinas: Papirus, 1997.   Van Der Veer, R; Valsiner, j. Vygotsky: uma síntese. São Paulo: Loyola, 1999.   Vygotsky, l. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1987.   Vygotsky, l. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1988.   Vygotsky, l.; Leontiev, a.; Luria, a. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1988.
  • OBRAS EM PORTUGUÊS Construção do pensamento e da linguagem, SP, Martins Fontes, 2011. Desenvolvimento psicológico na infância, SP, Martins Fontes, 1999. Estudos sobre a história do comportamento, Porto alegre, ARTMED, 1997. Formação social da mente. SP, Martins Fontes, 1999. Imaginação e criação na infância, SP, Ática, 2009. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. (Vários autores), SP, ícone/EDUSP, 1988 Pensamento e linguagem, SP, Martins Editora, 2008. Pensamento e linguagem, SP, Martins Fontes, 1987(Versão resumida norte-americana). Psicologia da arte, SP, Martins Fontes, 2001 Psicologia pedagógica, Porto alegre, ARTMED, 2003. Psicologia pedagógica, SP, WMF Martins Fontes, 2004. Teoria e método em psicologia, SP, Martins Fontes, 2004.
  • DAVID SERGIO HORNBLAS Psicólogo – CRP 06/13.656 dshornblas@gmail.com / david.hornblas@terra.com.br www.davidhornblas.com.br