Curso Online de DESIGUALDADES RACIAIS NO BRASIL

Curso Online de DESIGUALDADES RACIAIS NO BRASIL

“Quando alguém prende uma corrente no pescoço de um escravo, a outra ponta dessa corrente se enrosca no seu próprio pescoço” Ra...

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“Quando alguém prende uma corrente no pescoço de um escravo, a outra ponta dessa corrente se enrosca no seu próprio pescoço”

Ralph Waldo Emerson. Compensations

Produziu cursos na área de Instrumentação Cirúrgica, onde é formado desde 2003. Autor de mais de 100 cursos na área da saúde onde atuou por mais de 10 anos na enfermagem onde é formado desde 2004. Também produziu aproximadamente 200 cursos na área da educação (Geografia e História principalmente) onde cursou Licenciatura em História de 2009 a 2013. Autor também de alguns cursos de Administração onde cursa atualmente o 3º semestre em Administração e Gestão pela IERGS em Porto Alegre - RS. Pós-Graduado em História do Brasil pela PROMINAS.



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  • DESIGUALDADES RACIAS

    NO BRASIL

  • “Quando alguém prende uma corrente no pescoço de um escravo, a outra ponta dessa corrente se enrosca no seu próprio pescoço”

    Ralph Waldo Emerson. Compensations

  • Fundamento Histórico
    Na origem das extremas desigualdades raciais observadas no Brasil está o fato óbvio de que os africanos e muitos dos seus descendentes foram incorporados à sociedade brasileira na condição de escravos.
    A chamada “escravidão moderna” foi uma das formas mais radicais de exclusão econômica e social já inventadas pelo homem.
    As desigualdades entre as raças observadas no Brasil de hoje nada mais são, portanto, que o resultado cumulativo das desvantagens iniciais transmitidas através das gerações.
    As políticas de “ação afirmativa” ou “discriminação positiva” são instrumentos de que a sociedade dispõe para compensar essas desvantagens impostas às vítimas da escravidão e seus descendentes, com o objetivo de colocá-los na mesma condição competitiva que os outros segmentos da sociedade.
    Numa linguagem bem direta, pode-se dizer que se trata apenas de “pagar os atrasados” ou de “recuperar o tempo perdido”.
    “Tratar desigualmente os desiguais para promover a igualdade”

  • A segunda maior nação escravista da era moderna
    O último país do mundo ocidental a abolir a escravidão (1888)
    O penúltimo país da América a abolir o tráfico de escravos (1850)
    O maior importador de toda a história do tráfico atlântico
    O Brasil tem hoje

    A segunda maior população negra (afrodescendente) do mundo, com cerca de 80 milhões de indivíduos, só sendo superado pela Nigéria

    O Brasil foi

  • Cronologia da abolição da escravidão na América

    Saint Domingue (Haiti) 1804
    Chile 1823
    Províncias Unidas da América Central 1824
    México 1829
    Uruguai 1842
    Colônias suecas 1847
    Colônias dinamarquesas 1848
    Colônias francesas 1848
    Bolívia 1851
    Colômbia 1851
    Equador 1852
    Argentina 1853
    Venezuela 1854
    Peru 1855
    Colônias holandesas 1863
    Estados Unidos 1863
    Porto Rico 1873
    Cuba 1886
    Brasil 1888

  • Distribuição percentual do Tráfico Atlântico, por local de destino, 1451-1870

  • Disseminação da propriedade de escravos

    Suporte social e ético do regime

  • A propriedade de escravos era amplamente disseminada na sociedade brasileira (muito mais que nos Estados Unidos ou no Caribe)
    Durante quase 4 séculos o regime escravista contou com uma ampla base de sustentação social, ideológica, política e religiosa. A Igreja Católica nunca combateu a escravidão negra
    Não havia clivagens regionais, como nos EUA : a escravidão era aceita e praticada em todo o território brasileiro
    No censo do Império (1872) havia escravos em todos os 643 municípios brasileiros
    Ao contrário da lenda perpetuada pela literatura abolicionista, a sociedade não rejeitava éticamente a escravidão
    Ter escravos ou traficar com escravos não era vergonhoso, nem estigmatizante, mas sim um sinal de status, de riqueza e de prestígio. A maior parte dos grandes traficantes e dos grandes proprietários recebeu títulos de nobreza do Império
    Até depois da Guerra do Paraguai quase não se encontra nenhuma oposição ao regime servil na literatura, na imprensa, na jurisprudência ou no parlamento
    O movimento abolicionista, quando surgiu, foi inteiramente secular - a Igreja Católica não participou dele

  • Possuíam escravos tanto o grande fazendeiro, o grande
    minerador, o grande comerciante, o general e o bispo, como
    o pequeno lavrador, o faiscador, o pequeno funcionário,
    o tropeiro, o artesão, o vendeiro e o cura da aldeia

    Mas também tinham cativos o sacristão, a viúva pobre, o
    negro e o mulato forros, e até alguns escravos

    O governo tinha cativos (os “escravos da nação”), assim
    como as ordens religiosas, os conventos e a família imperial

    As companhias mineradoras inglesas tinham muitos –
    no Gongo Soco encontramos negros batizados como Otello,
    Byron e Macbeth,além de inúmeras Pollys, Mollys e Peggies

  • Em Minas Gerais, em 1831, 34% dos domicílios possuía
    escravos (dois terços destes tinham de 1 a 5 indivíduos)

    Em 1862, encontramos cativos em 25% dos “fogos” mineiros

    Em 1828, 25% dos domicílios paulistas possuíam escravos

    Em 1998, 30% dos domicílios brasileiros tinham telefone

    Em 1997, 24% dos domicílios mineiros tinham automóvel

  • A construção da negação

    Do mito da “escravidão cordial” ao mito da “democracia racial”

    A idéia de que a escravidão no Brasil era “mais branda” ou “mais suave” do que nos EUA ou no Caribe tem suas raízes no próprio período escravista
    Foi retomada por alguns historiadores no século XX (Oliveira Viana, Carolina Nabuco, Artur ramos, Donald Pierson, Mary Wilhelmine Williams, Percy A. Martin e, principalmente, Harry Johnston (1910), Gilberto Freyre (1922, 1933), Frank Tannebaum (1946) e Stanley Elkins (1959)
    Ficou conhecida na literatura como a “tese Freyre-Tannebaum-Elkins”
    Totalmente desmoralizada hoje (Roger Bastide, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Florestan Fernandes [UNESCO], Marvin Harris, Sidney Mintz, etc.), mas teve papel importante na fixação do mito da democracia racial no Brasil


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