Curso Online de Mercado financeiro e de capitais

Curso Online de Mercado financeiro e de capitais

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Para entender a dinâmica do sistema financeiro, torna-se fundamental compreender os fundamentos econômicos, o funcionamento do mercado financeiro, assim como a atuação do governo que, por meio de políticas econômicas, interfere diretamente nesse mercado. Sendo assim, é imprescindível compreender os conceitos econômicos, conhecer a função das instituições que formam o sistema financeiro nacional, os tipos de mercado, seus segmentos e os tipos de títulos negociados, o que nos traz uma melhor compreensão de todo o sistema financeiro.
Com o objetivo de trazer a visão econômica e dos mercados financeiros e de capitais, propomos neste curso uma separação entre conceitos econômicos e mercado financeiro, para que seja possível a análise de ambos, no decorrer de oito capítulos.

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  • Mercado financeiro e de capitais

  • 1
    Conceitos econômicos
    A economia é uma ciência social que envolve diversos estudos e traz em sua abordagem um leque de temas aplicados a diversas áreas profissionais, como o mercado financeiro e o mercado de capitais.
    Nesse âmbito, convido você a conhecer os fundamentos da atividade econômica, bem como seus conceitos, que envolvem: renda, poupança e investimento.
    Neste primeiro capítulo, abordaremos os principais conceitos econômicos para um melhor entendimento do funcionamento do mercado financeiro. Por meio dos conhecimentos básicos da economia, consideramos que você terá embasamento suficiente para seguir pelos próximos capítulos deste livro.

    Fundamentos econômicos
    Antes de iniciar os estudos sobre economia, convém refletirmos sobre algumas questões, com as quais você já pode ter se deparado em outros momentos.
    Você já se perguntou por que precisa fazer escolhas?
    Você está plenamente satisfeito(a) com aquilo que tem?
    Você consegue responder por que os indivíduos não podem ter tudo aquilo que desejam?
    A resposta a essas perguntas consiste na razão de se estudar economia. Partindo de um conceito amplo, o estudo da economia consiste em compreender que as necessidades das pessoas são ilimitadas, ao mesmo tempo que os recursos são escassos. Dessa forma, a economia concentra- se em três termos essenciais:
    necessidade ilimitada;
    escolha;
    escassez.
    De forma simplificada, “economia é o estudo de como a sociedade administra seus recursos escassos” (MANKIW, 2009, p. 4) ou, resumidamente, o estudo da riqueza e das transações de troca entre as pessoas com o intuito de compreender a decisão de utilização dos recursos produtivos
    custo de oportunidade
    escassos, como a terra, o trabalho e o capital, os quais carregam o em três
    processos: transformação, produção e distribuição dos bens para consumo (ASSAF NETO, 2018). Nesse contexto, na compreensão econômica é permitido que sejam estabelecidas relações entre os resultados agregados e o desempenho de todas as pessoas e organizações, que se constituem no próprio indivíduo, nas empresas e no governo.
    custo de oportunidade: termo econômico que indica o custo de renunciar a algo ou os benefícios que poderiam ser obtidos.

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    Dessa forma, o conhecimento da economia é capaz de proporcionar uma visão ampla de todo o mercado financeiro que envolve a decisão dos agentes no âmbito da poupança, do investimento e dos métodos de avaliação , assim como nos traz a importância de compreender as duas principais vertentes da economia a macroeconomia e a microeconomia , as quais envolvem temas relacionados a crescimento econômico, emprego, inflação e políticas públicas, como gastos do governo e tributação. Assim, veremos, na seção seguinte, a maneira como a economia é organizada, para então nos aprofundarmos no universo econômico.

    1.1.1 Organização econômica
    Para entendermos o funcionamento da economia, precisamos identificar as maneiras como ela está organizada (Figura 1) sob três sistemas: de mercado, centralizado e misto. O sistema de mercado refere-se à economia capitalista, na qual se considera que o mercado tem total condição de solucionar os problemas de todo o sistema; ele é baseado na concorrência e não necessita da intervenção do Estado. O segundo sistema, centralizado, é conhecido como o da economia socialista, o qual considera que as propriedades devem pertencer ao Estado, com a limitação da livre iniciativa do mercado.
    Figura 1 Sistemas econômicos

    Sistema
    Mercado
    Centralizado
    Misto
    Fonte: Elaborada pela autora.
    Por último, o sistema misto contempla a economia capitalista com um mínimo de interferência do Estado; esse controle estatal é observável por meio das políticas monetárias, com o controle dos preços, da taxa de juros, dos subsídios, das políticas de gastos públicos, de impostos, entre outros (MONTEIRO; SILVA, 2014). Assim, na compreensão da atividade econômica como predeterminante para o entendimento do funcionamento dos mercados, no caso, do mercado financeiro, precisamos compreender um conjunto de conceitos. De início, veremos dois deles: o mercado e a formação de preços.
    1.1.2 Mercado e preços
    Por mercado, compreende-se a determinação dos compradores e dos vendedores para além dos produtos e serviços que estão em um mercado. Analogamente, os compradores são os consumidores, e os vendedores são as empresas. Desse modo, o mercado abrange um “grupo de compradores e vendedores que, por meio de interações efetivas ou potenciais, determinam o preço de um produto ou de um conjunto de produtos” (PINDICK; RUBINFELD, 2013, p. 8).
    Nesse mesmo contexto, de acordo com a Figura 2, a formação de preços em uma economia de mercado é determinada pelo ponto de equilíbrio, ou seja, pelas forças de oferta e demanda.

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    P
    D
    Nesse cenário de ofertantes, que são as empresas, e demandantes, que são os consumidores, as quantidades de oferta e demanda são exatamente iguais para ambos.
    Figura 2 Oferta, demanda e preço de equilíbrio
    S
    Q
    Q’
    P’
    Fonte: Elaborada pela autora.
    Se houver uma demanda maior de um produto, o mecanismo de mercado fará com que os preços se elevem, atraindo mais produtores. Por outro lado, caso haja uma oferta maior desse produto, haverá redução dos preços, aumentando o consumo.
    Assim, podemos observar que a compreensão econômica permite a investigação dos problemas que abrangem as relações entre os agentes econômicos, sejam os indivíduos que chamaremos, na próxima seção, de famílias , as empresas, ou, ainda, o governo, em busca de entender e propor soluções.

    1.2 Atividade econômica
    Para compreender a atividade econômica, é necessário entender como ocorre a formação e distribuição do produto e da renda por meio de um fluxo contínuo estabelecido entre os agentes econômicos.
    Já vimos na seção anterior que os agentes são formados pelos indivíduos ou famílias
    , que compreendem os trabalhadores, os quais recebem uma renda e têm sua demanda e pelas empresas, responsáveis pelo processo produtivo e formadas pelos setores econômicos primários (agricultura), secundários (indústrias) e terciários (serviços). O terceiro agente econômico é o governo, um agente coletivo que adquire uma parcela da renda das famílias e da produção das empresas por meio do sistema tributário para proporcionar bens e serviços à sociedade.
    Para facilitar a compreensão, vamos visualizar por meio de um fluxo circular de renda como os agentes interagem na economia. Observe a figura a seguir:

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    Figura 3 Fluxo circular de renda da economia
    FLUXO FÍSICO
    Bens e serviços

    FLUXO MONETÁRIO
    Gastos
    Famílias
    Rendas (salários, juros, lucros e aluguéis)
    FLUXO MONETÁRIO
    Fatores de produção FLUXO FÍSICO
    Fonte: Pinheiro, 2014, p. 6.
    De acordo com a figura, o fluxo circular de renda da economia tem dois agentes: as famílias e as empresas. As famílias são aquelas detentoras dos fatores de produção (trabalho, terra e capital), e as empresas são as que demandam esses fatores por um determinado preço (PINHEIRO, 2014). Dessa forma, cada um desses agentes é, ao mesmo tempo, fornecedor de certos bens e serviços e solicitante de outros, ou seja, as famílias demandam bens e serviços e fornecem os recursos, e as empresas demandam os recursos e fornecem os bens e serviços, como podemos observar pelo fluxo físico.
    Para que essa troca ocorra, devemos observar o fluxo monetário, pois tanto famílias quanto empresas utilizam o dinheiro para pagar o valor de mercado daquilo que utilizam, sejam os bens e serviços ou os fatores de produção. Sendo assim, o fluxo circular procura trazer o entendimento das relações entre os agentes. Nesse contexto, podemos avançar no entendimento da atividade econômica e de como está correlacionada ao funcionamento do mercado financeiro, mediante os conceitos que envolvem a acumulação de capital, assim como os fluxos de financiamento; para isso, veremos, a seguir, as definições de renda, investimento e poupança.
    Empresas
    Nicholasgithiri/Nappy.co
    shironosov/iStock.com

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    1.2.1 Renda, poupança e investimento
    Conforme vimos na seção anterior, as relações entre os agentes se fazem por meio dos fluxos físico e monetário, contudo, dois novos componentes podem ser incorporados a partir de agora: o acúmulo de capitais e os fluxos de financiamento. Para entendermos esse ponto, três termos são importantes: a renda, o investimento e a poupança. Podemos observar esses três itens sob a ótica dos trabalhadores, das empresas ou do país como um todo, que podemos entender como toda a economia.
    Seguindo com a definição dos termos, por renda entende-se toda a remuneração que os agentes recebem por estarem inseridos de alguma forma no processo produtivo, ou seja, pode ser entendido como “receitas em dinheiro compensatórias dos serviços prestados, como salários recebidos, juros sobre o capital emprestado, lucros sobre o capital investido” (ASSAF NETO, 2018,
    p. 5). Assim, os trabalhadores obtêm a renda mediante a força de trabalho; e as empresas, mediante serviços prestados ou produtos vendidos. Para o país, a renda é a soma de todas as receitas associadas à cadeia de produção de um bem, a qual podemos medir pelo Produto Nacional Bruto (PNB), que indica toda a produção do país, tanto interna quanto externa.
    Já a poupança é caracterizada pela parcela da renda que é economizada, ou, em outras palavras, pelo recurso financeiro que não foi gasto em bens e serviços. Então, entende-se que o poupador é aquele que abre mão do consumo presente para o consumo futuro.
    Por último, o investimento é um termo que se vincula ao fato da criação de riqueza, então, pode-se considerar que é um termo utilizado no mercado para descrever as compras de um novo capital realizado pelas firmas (HALL; LIEBERMAN, 2003).
    É importante entender que o investimento é oriundo da capacidade de poupar, pois os recursos que não foram gastos serão utilizados nas atividades produtivas. Pela ótica do conceito econômico de um país, a baixa capacidade em poupar, seja do governo, das empresas ou das famílias, condiciona o aumento do consumo, o qual, em termos econômicos, limita uma das variáveis que contribuem para o crescimento econômico o investimento , dado que menos recursos são direcionados para o investimento produtivo.
    Pode-se caracterizar o investimento com base na decisão das empresas em ter um custo presente para obter lucros no futuro (PINHEIRO, 2014). Dessa forma, o investimento é o aumento do capital, seja para a empresa ou para o aumento efetivo da capacidade produtiva do país.

    A aquisição de ações na Bolsa de Valores não é interpretada como investimento no conceito econômico, pois, por ser realizada no mercado secundário, a compra se caracteriza somente pela transferência de posse do título, e não pela canalização direta do capital para o caixa da empresa, como ocorre no mercado primário (ASSAF NETO, 2018).

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    Podemos concluir esta seção com uma visão ampla sobre aspectos econômicos importantes para o nosso entendimento do mercado financeiro, dado que a economia busca compreender a decisão dos agentes em buscar a melhor combinação dos recursos visando ao custo de oportunidade, desde o processo de produção até o consumo. Além disso, entendemos que quanto maior o investimento, maior é a aplicação nos meios que levam ao crescimento produtivo, ou seja, a capacidade futura de gerar lucros e aumentar a renda. Veremos na última seção deste capítulo o que é moeda e qual é a sua função na economia.

    1.3 Moeda
    O que é moeda? Você pode imaginar que definir o que é moeda é algo muito simples, pelo fato de que, em economias modernas como a nossa, o seu uso já está tão generalizado que se torna difícil imaginar uma economia sem algum tipo de moeda.
    Nesse contexto, nossa definição de moeda é a seguinte: meio de pagamento pelo qual os agentes efetuam transações monetárias. Contudo, no sentido amplo do seu significado, principalmente econômico, vários autores da literatura econômica também trazem suas importantes contribuições: para Mankiw (2009, p. 628), “moeda é o conjunto de ativos na economia que as pessoas usam regularmente para comprar bens e serviços de outras pessoas”; em outras palavras, Pinheiro (2014, p. 11) descreve que “a moeda pode ser conceituada como um conjunto de ativos financeiros de uma economia que os agentes utilizam em suas transações”.
    Porém, a moeda não é somente utilizada como meio de troca, mas também como unidade de conta e como reserva de valor, ou seja, são três as funções que a diferenciam dos demais ativos da economia, como as ações, os bens imóveis ou móveis, entre outros bens e títulos. Observe o Quadro 1:
    Quadro 1 Funções da moeda

    Meio de troca Unidade de conta Reserva de valor
    Promove a troca de determinados bens e serviços por outros.
    Parâmetro ao apurar o valor monetário na transação de bens e serviços, ajuda na comparação de preços.
    Forma dos agentes econômicos manterem seu patrimônio para utilização futura.
    Fonte: Elaborado pela autora com base em Mankiw (2009) e Assaf Neto (2018).
    Com relação às funções da moeda, é importante também entendermos que sua emissão é realizada mediante autorização legal das autoridades monetárias, porém, não são todas as moedas emitidas que estão em circulação na economia. Para entender como funciona a oferta e a quantidade de moeda circulante, veremos, na próxima seção, o que são os agregados monetários, também conhecidos como meios de pagamento.
    1.3.1 Agregados monetários e meios de pagamento
    Para consideramos o total de moedas em um país são necessárias algumas definições que conseguem medir essa oferta: os agregados monetários ou meios de pagamento. De acordo com

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    Pinheiro (2014), o objetivo desse conceito é medir a liquidez do setor privado para atender suas necessidades de transações com bens e serviços.
    São quatro tipos de conceitos de moeda, denominados M1, M2, M3 e M4. O primeiro representa o saldo de moeda do poder do público e os depósitos à vista nos bancos. Assim, o M1 é a quantidade de moeda disponível na economia, sendo interpretada como uma forma de avaliar o nível de liquidez no sistema econômico (ASSAF NETO, 2018).

    M1 = Moedas metálicas e notas em poder do público + Depósitos à vista
    Seguindo a definição dos meios de pagamento, de acordo com Assaf Neto (2018), no conceito mais amplo de moeda, vemos o agregado monetário ou meio de pagamento chamado de M2. O M2 é constituído pelo M1 somado aos títulos emitidos pelas instituições financeiras, como os depósitos em poupança e a prazo e as letras de câmbio imobiliárias e hipotecárias, além do saldo de títulos em poder dos fundos de aplicação financeira (FAF).

    M2 = M1 + Títulos emitidos por instituições financeiras + Saldo em poder do FAF
    O terceiro conceito de moeda inclui as quotas de fundos depositários, com os fundos multimercado, cambial, referenciado, entre outros, além da posição líquida em títulos públicos
    registrados no sistema
    Selic
    (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).
    M3 = M2 + Quotas de fundos depositários + Títulos públicos
    Por fim, o M4 é o quarto conceito de moeda, sendo o mais amplo. Ele é formado pelo conceito do M3 junto aos títulos públicos federais com característica de alta liquidez. De acordo com Assaf Neto (2018), quando há um aumento do M4 em relação ao M1 significa que estão ocorrendo processos inflacionários, conhecidos como desmonetização. O contrário, o processo de monetização, pode ser observado quando a inflação diminui, assim como o custo, para que as pessoas possam manter a moeda.
    Portanto, a base monetária de uma economia será a soma da moeda emitida com as reservas bancárias, sendo que a moeda mantida pelas pessoas é caracterizada como papel-moeda em poder do público, e quando mantida pelos bancos, como encaixe técnico ou compulsórios. Dessa forma, o encaixe técnico atende ao fluxo de saques dos correntistas, enquanto o compulsório diz respeito aos depósitos obrigatórios realizados pelo Banco Central.
    selic: sistema onde é efetuada a custódia e são registradas
    as transações dos títulos públicos federais.

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    O compulsório é um instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a quantidade de moeda em circulação por meio dos depósitos em bancos. A alíquota do compulsório é o que determina o multiplicador monetário, ou seja, quanto menor a alíquota, mais os bancos podem emprestar suas reservas (BACEN, 2019).
    Dessa forma, finalizamos este tópico no qual tratamos sobre o conceito de moeda e suas funções. Além disso, vimos a forma pela qual ocorre a emissão de moeda na economia e como os agentes econômicos utilizam ferramentas de política monetária para realizar o controle de papel-
    -moeda, como o compulsório, e efetivar as políticas econômicas.

    Considerações finais
    Chegamos ao fim do nosso primeiro capítulo! Esta foi uma introdução aos fundamentos econômicos com o objetivo de apresentar os principais conceitos para um melhor entendimento do funcionamento do mercado financeiro.
    Vimos que a compreensão da economia nos permite ter uma visão ampla do funcionamento de uma sociedade. Por meio da compreensão econômica, vimos que os agentes interagem, cada um com o seu objetivo, e que é preciso haver instrumentos que efetivamente promovam a plena interação.
    É nesse contexto que aqui foram apresentados os principais conceitos econômicos que servirão de base para os nossos estudos nos capítulos seguintes, nos quais falaremos sobre as políticas econômicas e os mercados financeiros.

    Ampliando seus conhecimentos
    ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
    Esse livro oferece uma visão ampla dos mercados financeiros, com uma abordagem econômica, apresentando o funcionamento dos mercados financeiros, a avaliação dos principais instrumentos financeiros, bem como a abordagem do gerenciamento de risco por meio do mercado financeiro.

    WALL Street: o dinheiro nunca dorme. Direção de Oliver Stone. EUA: Edward R. Pressman Productions, Ixtlan Production, Dune Entertainment, 2010. DVD. cor (138 min.).
    Esse é um filme que mostra a realidade do mercado financeiro. Na obra, Gordon Gekko prevê a crise imobiliária estadunidense, causada pela liquidez do sistema bancário que atingiu diversos países em 2008.

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    Atividades
    A economia concentra-se em três termos essenciais: as necessidades ilimitadas dos agentes, a escolha e a escassez dos bens e produtos. Nesse contexto, explique o que é economia e qual é a importância desse conhecimento para o mercado financeiro.
    A distribuição do produto e da renda pode ser observada mediante um fluxo contínuo, ou, em outras palavras, um fluxo circular. Explique como os agentes, as famílias e as empresas interagem e o que é fluxo físico e fluxo monetário.
    Em economias modernas, o uso da moeda é extremamente habitual, com acesso facilitado. No entanto, ela não é utilizada somente para a aquisição de bens e serviços. Apresente e explique as três funções da moeda.

    Referências
    ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
    BRASIL. BACEN Banco Central do Brasil. Recolhimentos compulsórios, encaixe e direcionamentos obrigatórios. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/recolhimentoscompulsorios. Acesso em: 12 abr. 2019.
    BRASIL. BACEN Banco Central do Brasil. Sistema especial de liquidação e custódia. Disponível em: https:// www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/sistemaselic. Acesso em: 15 jun. 2019.
    HALL, R. E.; LIEBERMAN, M. Microeconomia: princípios e aplicações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.
    MANKIW, N. G. Introdução à economia. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2009. MONTEIRO, E. R.; SILVA, P. A. G. Introdução ao estudo da economia. Curitiba: InterSaberes, 2014. PINDICK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 8. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2013.
    PINHEIRO, J. L. Mercado de capitais: fundamentos e técnicas. São Paulo: Atlas, 2014.

  • 2
    Políticas econômicas
    Em continuidade ao nosso estudo, veremos, neste capítulo, como as políticas econômicas interferem nos mercados, seja no mercado de crédito ou no mercado de capitais, além da relação com o consumo e os investimentos.
    Este capítulo está dividido em três seções referentes às três políticas econômicas monetária, fiscal e cambial , apresentadas da seguinte forma: na primeira seção, veremos como as políticas monetárias interferem na quantidade de moedas do país e, consequentemente, na taxa de juros da economia; na segunda seção, abordaremos o papel do governo em garantir o bem-estar da sociedade mediante políticas fiscais e quais as consequências disso nos juros; e, por fim, veremos, na terceira seção, como a administração da taxa de câmbio afeta a economia.
    Esperamos que você absorva o máximo deste capítulo, que finaliza o conteúdo de cunho econômico, para então adentrarmos o estudo dos mercados financeiro e de capitais.

    2.1 Política monetária
    As políticas monetárias são ações do governo para intervir na economia e garantir seu bom funcionamento em prol do desenvolvimento econômico. Assim, por meio do Banco Central (Bacen), instrumentos de controle monetário são utilizados com objetivos de políticas expansionistas e restritivas. Veremos, a seguir, os instrumentos do Banco Central e quais são as consequências dessas ações na economia.
    Compreender a atuação do governo mediante políticas econômicas, como a monetária, é importante para entendermos a dinâmica do mercado financeiro. Quando falamos em política monetária, devemos lembrar-nos de três variáveis: moeda, crédito e taxa de juros. Porém, vamos antes relembrar alguns pontos do capítulo anterior sobre os conceitos econômicos para então mergulharmos nas políticas econômicas.
    O estudo da teoria econômica é dividido em duas grandes áreas: a microeconomia, que estuda o comportamento individual, e a macroeconomia, que trata do comportamento da economia como um todo, por exemplo, a produção total de bens e serviços e seu crescimento, as taxas de inflação, o desemprego, as taxas de câmbio e a balança de pagamentos (DORNBUSCH; FISCHER, 1991).
    Nesse contexto em que a política monetária gira em torno da moeda, do crédito e da taxa de juros, devemos nos lembrar dos agregados monetários, em que a oferta de moeda de uma economia é expressa pelo indicador de base monetária, que representa a exigibilidade monetária do governo em poder dos agentes econômicos (ASSAF NETO, 2018), ou seja, para a avaliação e formulação da política monetária, considera-se essencialmente a emissão primária de moeda na economia.


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