Curso Online de Piaget Básico

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Conceitos fundamentais de J. Piaget

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Conceitos fundamentais de J. Piaget

Psicólogo e Professor Universitário com 32 anos de experiência profissional; Supervisor de "Processos Educativos" - UBC; Mestre em Psicologia da Educação pela PUC/SP; Doutorando em Saúde Coletiva - UNIFESP; Aperfeiçoamento clínico pelo Harlen's Alchool & Drugs Rehabilitation Center/NYC/US; Membro do Centro Britânico de Prevenção e Combate às vítimas de bullying, Horogate, Reino Unido; Formação clínica e pedagógica com Carl R. Rogers.



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  • JEAN PIAGET
    Teoria & Conceitos básicos

    COLEÇÃO INICIANDO VOLUME I

  • JEAN PIAGET
    Teoria & Conceitos básicos

  • Aqui você vai encontrar uma visão panorâmica dos principais conceitos de Jean Piaget. A teoria de Piaget é ampla e requer uma leitura concentrada, passo a passo. Este curso é a produção gráfica de aulas presenciais ministradas em cursos de Psicologia e Pedagogia ao longo de muitos anos. Bom estudo !

    Aqui você vai encontrar uma visão panorâmica dos principais conceitos de Jean Piaget. A teoria de Piaget é ampla e requer uma leitura concentrada, passo a passo. Este curso é a produção gráfica de aulas presenciais ministradas em cursos de Psicologia e Pedagogia ao longo de muitos anos. Bom estudo !

  • SUMÁRIO

    SUMÁRIO

  • 1. BIOGRAFIA Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado biólogo e epistemólogo, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. Nasceu no dia 9 de agosto de 1896, em Neuchâtel, na Suíça. Seu pai, um calvinista convicto, era professor universitário de Literatura medieval. Piaget foi um menino prodígio. Interessou-se por História Natural ainda em sua infância. Aos 11 anos de idade, publicou seu primeiro trabalho sobre sua observação de um pardal albino. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante carreira científica. Aos sábados, Piaget trabalhava gratuitamente no Museu de História Natural. Piaget frequentou a Universidade de Neuchâtel, onde estudou Biologia e Filosofia. Obteve seu doutorado em Biologia em 1918, aos 22 anos de idade.

    1. BIOGRAFIA Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado biólogo e epistemólogo, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. Nasceu no dia 9 de agosto de 1896, em Neuchâtel, na Suíça. Seu pai, um calvinista convicto, era professor universitário de Literatura medieval. Piaget foi um menino prodígio. Interessou-se por História Natural ainda em sua infância. Aos 11 anos de idade, publicou seu primeiro trabalho sobre sua observação de um pardal albino. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante carreira científica. Aos sábados, Piaget trabalhava gratuitamente no Museu de História Natural. Piaget frequentou a Universidade de Neuchâtel, onde estudou Biologia e Filosofia. Obteve seu doutorado em Biologia em 1918, aos 22 anos de idade.

  • Após formar-se, Piaget foi para Zurich, onde trabalhou como psicólogo experimental. Lá ele trabalhou como psiquiatra em uma clínica. Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho. Ele passou a combinar a psicologia experimental - que é um estudo formal e sistemático - com métodos informais de psicologia: entrevistas, conversas e análises de pacientes. Em 1919, Piaget mudou-se para a França, onde foi convidado a trabalhar no laboratório de Alfred Binet, um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes de inteligência padronizados para crianças. Piaget notou que crianças francesas da mesma faixa etária cometiam erros semelhantes, e partir de então interessou-se em estudas o desenvolvimento do pensamento lógico se desenvolve gradualmente. O ano de 1919 foi um marco em sua vida. Piaget iniciou seus estudos experimentais sobre a mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa.

    Após formar-se, Piaget foi para Zurich, onde trabalhou como psicólogo experimental. Lá ele trabalhou como psiquiatra em uma clínica. Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho. Ele passou a combinar a psicologia experimental - que é um estudo formal e sistemático - com métodos informais de psicologia: entrevistas, conversas e análises de pacientes. Em 1919, Piaget mudou-se para a França, onde foi convidado a trabalhar no laboratório de Alfred Binet, um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes de inteligência padronizados para crianças. Piaget notou que crianças francesas da mesma faixa etária cometiam erros semelhantes, e partir de então interessou-se em estudas o desenvolvimento do pensamento lógico se desenvolve gradualmente. O ano de 1919 foi um marco em sua vida. Piaget iniciou seus estudos experimentais sobre a mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa.

  • Em 1921, Piaget voltou à Suíça e tornou-se diretor de estudos no Instituto J. J. Rousseau da Universidade de Genebra. Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida, ao observar crianças brincando e registrar meticulosamente as palavras, ações e processos de raciocínio delas. Em 1923, Piaget casou-se com Valentine Châtenay, com quem teve três filhos: Jacqueline (1925), Lucienne (1927) e Laurent (1931). As teorias de Piaget foram, em grande parte, baseadas em estudos e observações de seus filhos que ele realizou ao lado de sua esposa. Enquanto prosseguia com suas pesquisas e publicações de trabalhos, lecionou em diversas universidades europeias. Registros revelam que ele foi o único suíço a ser convidado para lecionar na Universidade de Sorbonne (Paris, França), onde permaneceu de 1952 a 1963. Em 1946 participou da elaboração da Constituição da Unesco, órgão das Nações Unidas para educação, ciência e cultura. Até a data de seu falecimento, fundou e dirigiu o Centro Internacional para Epistemologia Genética. Ao longo de sua brilhante carreira, escreveu mais de 75 livros e centenas de trabalhos científicos. Morreu em Genebra, em 17 de setembro de 1980. 

    Em 1921, Piaget voltou à Suíça e tornou-se diretor de estudos no Instituto J. J. Rousseau da Universidade de Genebra. Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida, ao observar crianças brincando e registrar meticulosamente as palavras, ações e processos de raciocínio delas. Em 1923, Piaget casou-se com Valentine Châtenay, com quem teve três filhos: Jacqueline (1925), Lucienne (1927) e Laurent (1931). As teorias de Piaget foram, em grande parte, baseadas em estudos e observações de seus filhos que ele realizou ao lado de sua esposa. Enquanto prosseguia com suas pesquisas e publicações de trabalhos, lecionou em diversas universidades europeias. Registros revelam que ele foi o único suíço a ser convidado para lecionar na Universidade de Sorbonne (Paris, França), onde permaneceu de 1952 a 1963. Em 1946 participou da elaboração da Constituição da Unesco, órgão das Nações Unidas para educação, ciência e cultura. Até a data de seu falecimento, fundou e dirigiu o Centro Internacional para Epistemologia Genética. Ao longo de sua brilhante carreira, escreveu mais de 75 livros e centenas de trabalhos científicos. Morreu em Genebra, em 17 de setembro de 1980. 

  • 2. EPISTEMOLOGIA GENÉTICA A Epistemologia Genética, inaugurada pelas pesquisas de Jean Piaget, propõe como objeto de estudo não o conhecimento enquanto estado acabado, mas como processo de formação dos diferentes estados alcançados pelo conhecimento . IMPORTANTE: Nesta teoria de Piaget, a expressão “genética”, não se refere aos genes, portanto não tem relação alguma com o estudo da transmissão dos caracteres hereditários. Refere-se à gênese – origem e processo de formação a partir dessa origem, constituição, geração de um ser ou de um fenômeno. Logo, a teoria de Piaget, não é uma abordagem centrada na transmissão hereditária de características psicológicas, mas no processo de construção dos fenômenos psicológicos ao longo do desenvolvimento humano.

    2. EPISTEMOLOGIA GENÉTICA A Epistemologia Genética, inaugurada pelas pesquisas de Jean Piaget, propõe como objeto de estudo não o conhecimento enquanto estado acabado, mas como processo de formação dos diferentes estados alcançados pelo conhecimento . IMPORTANTE: Nesta teoria de Piaget, a expressão “genética”, não se refere aos genes, portanto não tem relação alguma com o estudo da transmissão dos caracteres hereditários. Refere-se à gênese – origem e processo de formação a partir dessa origem, constituição, geração de um ser ou de um fenômeno. Logo, a teoria de Piaget, não é uma abordagem centrada na transmissão hereditária de características psicológicas, mas no processo de construção dos fenômenos psicológicos ao longo do desenvolvimento humano.

  • 2.1   PERSPECTIVA PIAGETIANA SOBRE O DESENVOLVIMENTO O indivíduo herda uma série de estruturas biológicas que o predispõem ao surgimento de certas estruturas mentais, ou seja, herda um organismo que vai amadurecer em contato com o meio ambiente. Da interação organismo-ambiente resultarão estruturas cognitivas que vão funcionar de modo semelhante durante toda vida do sujeito. Piaget defende que o indivíduo passa por várias etapas de desenvolvimento, etapas essas constituídas pela construção progressiva de estruturas mentais cada vez mais complexas. A partir dessa perspectiva, a evolução humana é descrita como uma construção contínua, onde se alternam estados de desequilíbrio (provocados por conflitos externos ou internos) e de equilíbrio (determinado pela resolução dos conflitos). Este funcionamento é constante e possibilita a passagem de uma etapa de desenvolvimento para a seguinte.

    2.1   PERSPECTIVA PIAGETIANA SOBRE O DESENVOLVIMENTO O indivíduo herda uma série de estruturas biológicas que o predispõem ao surgimento de certas estruturas mentais, ou seja, herda um organismo que vai amadurecer em contato com o meio ambiente. Da interação organismo-ambiente resultarão estruturas cognitivas que vão funcionar de modo semelhante durante toda vida do sujeito. Piaget defende que o indivíduo passa por várias etapas de desenvolvimento, etapas essas constituídas pela construção progressiva de estruturas mentais cada vez mais complexas. A partir dessa perspectiva, a evolução humana é descrita como uma construção contínua, onde se alternam estados de desequilíbrio (provocados por conflitos externos ou internos) e de equilíbrio (determinado pela resolução dos conflitos). Este funcionamento é constante e possibilita a passagem de uma etapa de desenvolvimento para a seguinte.

  • O início do processo de desenvolvimento se dá a partir da necessidade humana de se adaptar ao meio ambiente. Este processo, que ocorre naturalmente a partir da interação do homem com o ambiente, promove a expansão das capacidades mentais (DAVIDOFF, 2003). A adaptação é composta por três subprocessos, quais sejam: ASSIMILAÇÃO ACOMODAÇÃO EQUILIBRAÇÃO

    O início do processo de desenvolvimento se dá a partir da necessidade humana de se adaptar ao meio ambiente. Este processo, que ocorre naturalmente a partir da interação do homem com o ambiente, promove a expansão das capacidades mentais (DAVIDOFF, 2003). A adaptação é composta por três subprocessos, quais sejam: ASSIMILAÇÃO ACOMODAÇÃO EQUILIBRAÇÃO

  • ASSIMILAÇÃO processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado (perceptual, motor ou conceitual) nos esquemas ou padrões de comportamentos já existentes. Pode ser comparada com o processo da alimentação, em que o homem ingere, digere, assimila e/ou transforma o alimento de acordo com as necessidades do seu organismo. Piaget usou essa comparação devido a sua formação em biologia.

    ASSIMILAÇÃO processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado (perceptual, motor ou conceitual) nos esquemas ou padrões de comportamentos já existentes. Pode ser comparada com o processo da alimentação, em que o homem ingere, digere, assimila e/ou transforma o alimento de acordo com as necessidades do seu organismo. Piaget usou essa comparação devido a sua formação em biologia.


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  • Aqui você vai encontrar uma visão panorâmica dos principais conceitos de Jean Piaget. A teoria de Piaget é ampla e requer uma leitura concentrada, passo a passo. Este curso é a produção gráfica de aulas presenciais ministradas em cursos de Psicologia e Pedagogia ao longo de muitos anos. Bom estudo !
  • SUMÁRIO
  • 1. BIOGRAFIA Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado biólogo e epistemólogo, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. Nasceu no dia 9 de agosto de 1896, em Neuchâtel, na Suíça. Seu pai, um calvinista convicto, era professor universitário de Literatura medieval. Piaget foi um menino prodígio. Interessou-se por História Natural ainda em sua infância. Aos 11 anos de idade, publicou seu primeiro trabalho sobre sua observação de um pardal albino. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante carreira científica. Aos sábados, Piaget trabalhava gratuitamente no Museu de História Natural. Piaget frequentou a Universidade de Neuchâtel, onde estudou Biologia e Filosofia. Obteve seu doutorado em Biologia em 1918, aos 22 anos de idade.
  • Após formar-se, Piaget foi para Zurich, onde trabalhou como psicólogo experimental. Lá ele trabalhou como psiquiatra em uma clínica. Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho. Ele passou a combinar a psicologia experimental - que é um estudo formal e sistemático - com métodos informais de psicologia: entrevistas, conversas e análises de pacientes. Em 1919, Piaget mudou-se para a França, onde foi convidado a trabalhar no laboratório de Alfred Binet, um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes de inteligência padronizados para crianças. Piaget notou que crianças francesas da mesma faixa etária cometiam erros semelhantes, e partir de então interessou-se em estudas o desenvolvimento do pensamento lógico se desenvolve gradualmente. O ano de 1919 foi um marco em sua vida. Piaget iniciou seus estudos experimentais sobre a mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa.
  • Em 1921, Piaget voltou à Suíça e tornou-se diretor de estudos no Instituto J. J. Rousseau da Universidade de Genebra. Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida, ao observar crianças brincando e registrar meticulosamente as palavras, ações e processos de raciocínio delas. Em 1923, Piaget casou-se com Valentine Châtenay, com quem teve três filhos: Jacqueline (1925), Lucienne (1927) e Laurent (1931). As teorias de Piaget foram, em grande parte, baseadas em estudos e observações de seus filhos que ele realizou ao lado de sua esposa. Enquanto prosseguia com suas pesquisas e publicações de trabalhos, lecionou em diversas universidades europeias. Registros revelam que ele foi o único suíço a ser convidado para lecionar na Universidade de Sorbonne (Paris, França), onde permaneceu de 1952 a 1963. Em 1946 participou da elaboração da Constituição da Unesco, órgão das Nações Unidas para educação, ciência e cultura. Até a data de seu falecimento, fundou e dirigiu o Centro Internacional para Epistemologia Genética. Ao longo de sua brilhante carreira, escreveu mais de 75 livros e centenas de trabalhos científicos. Morreu em Genebra, em 17 de setembro de 1980. 
  • 2. EPISTEMOLOGIA GENÉTICA A Epistemologia Genética, inaugurada pelas pesquisas de Jean Piaget, propõe como objeto de estudo não o conhecimento enquanto estado acabado, mas como processo de formação dos diferentes estados alcançados pelo conhecimento . IMPORTANTE: Nesta teoria de Piaget, a expressão “genética”, não se refere aos genes, portanto não tem relação alguma com o estudo da transmissão dos caracteres hereditários. Refere-se à gênese – origem e processo de formação a partir dessa origem, constituição, geração de um ser ou de um fenômeno. Logo, a teoria de Piaget, não é uma abordagem centrada na transmissão hereditária de características psicológicas, mas no processo de construção dos fenômenos psicológicos ao longo do desenvolvimento humano.
  • 2.1   PERSPECTIVA PIAGETIANA SOBRE O DESENVOLVIMENTO O indivíduo herda uma série de estruturas biológicas que o predispõem ao surgimento de certas estruturas mentais, ou seja, herda um organismo que vai amadurecer em contato com o meio ambiente. Da interação organismo-ambiente resultarão estruturas cognitivas que vão funcionar de modo semelhante durante toda vida do sujeito. Piaget defende que o indivíduo passa por várias etapas de desenvolvimento, etapas essas constituídas pela construção progressiva de estruturas mentais cada vez mais complexas. A partir dessa perspectiva, a evolução humana é descrita como uma construção contínua, onde se alternam estados de desequilíbrio (provocados por conflitos externos ou internos) e de equilíbrio (determinado pela resolução dos conflitos). Este funcionamento é constante e possibilita a passagem de uma etapa de desenvolvimento para a seguinte.
  • O início do processo de desenvolvimento se dá a partir da necessidade humana de se adaptar ao meio ambiente. Este processo, que ocorre naturalmente a partir da interação do homem com o ambiente, promove a expansão das capacidades mentais (DAVIDOFF, 2003). A adaptação é composta por três subprocessos, quais sejam: ASSIMILAÇÃO ACOMODAÇÃO EQUILIBRAÇÃO
  • ASSIMILAÇÃO processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra um novo dado (perceptual, motor ou conceitual) nos esquemas ou padrões de comportamentos já existentes. Pode ser comparada com o processo da alimentação, em que o homem ingere, digere, assimila e/ou transforma o alimento de acordo com as necessidades do seu organismo. Piaget usou essa comparação devido a sua formação em biologia.
  • ACOMODAÇÃO Processo por meio do qual o indivíduo cria novas estratégias ou promove a modificação e/ou combinação de antigas (que estão em seus esquemas ) para ajustá-las a uma nova situação. Como assimilação e acomodação são processos mentais que ocorrem com o sujeito a partir da interação com o meio, entende-se que se realizam conjunta e continuamente, se inter-relacionando de modo que, em determinados momentos, há a dominância de uma sobre a outra.
  • EQUILIBRAÇÃO Ocorre quando acontece certo “balanço” (usando a expressão de Wadsworth) entre a assimilação e a acomodação. Ou seja, é quando tais processos proporcionaram ao indivíduo uma adaptação à nova realidade que se lhe impôs. De acordo com BEE (2003) o processo de equilibração se assemelha ao que faz um cientista: quando surgem novos achados de pesquisa, ele os assimila na teoria existente; se eles não se ajustam com perfeição, ele pode fazer pequenas modificações em sua teoria ou, se as evidências contestadoras forem significativas, mudar algumas suposições teóricas básicas.   Mas, seja qual for a possibilidade escolhida pelo cientista, ainda assim será uma forma de equilibração.
  • Para Piaget todos esses mecanismos fazem parte da estrutura cognitiva presente na espécie humana. A criança vai formando estas estruturas a partir do momento em que a produção dos reflexos motores/sensoriais não mais bastam para a exploração dos estímulos ambientais. A criança vive de sensações provenientes do meio interno e externo, e com o desenvolvimento, passa a ter necessidade de organizá-las. A estrutura básica fundamental na busca desta organização é denominada ESQUEMAS.
  • Os esquemas não são fixos, mas dinâmicos e passíveis de modificação. Segundo os pressupostos psicogenéticos, modificando os esquemas, modifica-se a estrutura como um todo. Tal modificação possibilita um relacionamento eficiente do organismo com situações cada vez mais complexas e diversificadas do ambiente, ou seja, possibilita a manifestação de novos comportamentos e pensamentos cada vez mais evoluídos, fundamental ao processo de desenvolvimento.
  • 2.2 ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO DESCRITOS POR PIAGET Piaget propôs que o pensamento desenvolve-se a partir de uma sequência de estágios ou períodos, que são caracterizados por formas diferentes de interagir com o ambiente e ocorrem em faixas etárias específicas. As idades atribuídas ao aparecimento dos estágios não são rígidas, pois eles vão se sucedendo ao longo do tempo e, na passagem de um para outro, há uma "mistura", quando a criança ainda está num determinado estágio e já começa a apresentar processos específicos do estágio posterior. Essa passagem é lenta e um estágio vai se infiltrando no outro, de modo que aos poucos vai se esvaindo até que o novo estágio se instale. As etapas também são sucessivas, nenhuma delas “pula” qualquer tipo de base, de estrutura, na intenção de se agilizar o processo, de tornar mais rápido o desenvolvimento.
  • 2.2.1. ESTÁGIO SENSÓRIO-MOTOR (0-24 MESES) Neste estágio a atividade intelectual é de natureza sensorial e motora: a criança percebe o ambiente e age sobre ele. No primeiro mês de vida, a criança exerce os reflexos presentes no nascimento (sucção, preensão, plantar e palpebral), depois já passa a coordenar reflexos e reações, os movimentos das mãos passam a coordenar-se com os movimentos dos olhos: olha para aquilo que ouve, tenta alcançar objetos, agarrá-los, chupá-los. Gradativamente os reflexos próprios da espécie vão sendo empregados socialmente, ou seja, de modo não previsto pela espécie, tornando-se “esquemas de ação”. Estes esquemas vão, paulatinamente, se aperfeiçoando, articulando, fundindo. Um conjunto de esquemas forma a estrutura cognitiva que permite resolver determinados problemas e são ativamente construídas pelo sujeito.
  • Assim, mais tarde, a criança pode repetir intencionalmente as reações que produzem resultados interessantes: aos quatro meses um bebê pode esticar as pernas para atingir, com pontapés, um boneco suspenso sobre o berço, para vê-lo balançar. Nota-se, também, que ele procura um objeto que estiver escondido, chegando a remover um obstáculo para apanhá-lo. Por volta dos nove meses a criança adquire a noção de permanência dos objetos, que promove o entendimento de que pessoas e objetos continuam a existir ainda que não estejam sendo percebidos. No fim do primeiro ano, a criança está interessada em novidades e manifesta sua curiosidade, por exemplo, deixando cair objetos para observar a queda. Após um ano de vida, desenvolve a capacidade de inventar meios para atingir seus objetivos: puxa brinquedos com cordéis e usa varas para empurrar coisas ou atrair objetos para si.
  • Outra conquista da criança nesse estágio é a diferenciação entre os objetos externos e o próprio corpo, que representa um grande passo na constituição do seu “eu”, na medida em que passa a diferenciar-se do seu meio. Embora permaneça ainda bastante egocêntrica, ao término desse estágio a criança terá alcançado várias e significativas conquistas do ponto de vista motor, emocional e intelectual (inteligência explícita). Em síntese, nessa fase a criança constrói as noções de tempo, causalidade, espaço e permanência do objeto, o que representa uma grande conquista. Em contrapartida ainda não dispõe da função simbólica, portanto, não possui “ferramenta” para representar o “mundo”.
  • 2.2.2.  ESTÁGIO PRÉ-OPERACIONAL (2-7 ANOS) O principal progresso desse período, em relação ao sensório-motor, é o desenvolvimento da capacidade simbólica, que é favorecida pelo intenso desenvolvimento da linguagem. A criança começa a usar símbolos mentais - imagens ou palavras - que representam objetos que não estão presentes (desenho, imitação, jogo simbólico). O egocentrismo, que permanece na maior parte do período pré-operatório, se manifestará em quase todas as áreas de atuação da criança (intelectual, social, linguagem, etc.), fazendo com que seu julgamento esteja sujeito a vários erros. Como consequência a criança demonstrará incapacidade em pequenas tarefas, tais como aquela em que deve dizer como o experimentador, sentado do lado oposto da mesa, vê uma “paisagem”, revelando incapacidade de se colocar no ponto de vista dos outros.
  • Uma vez que ainda é carente de esquemas conceituais, que serão formados no estágio seguinte, a criança é altamente dependente da percepção imediata; o que dificulta a compreensão da conservação de volume, massa e peso. Para testar a noção de conservação da massa, um dos experimentos propostos por Piaget consiste em dar à criança duas bolas de massa plástica feitas da mesma quantidade de massa e depois transformar, à vista dela, uma das bolas em uma “salsicha”. Posteriormente, pergunta-se à criança qual das duas, a “bola” ou a “salsicha”, contém mais massa. As crianças menores de sete anos normalmente afirmam que a “salsicha” contém mais massa (porque é mais comprida) ou que a “salsicha” contém menos massa (porque é mais fininha).
  • Com relação à conservação de volume, outro experimento clássico consiste em despejar, na frente da criança, certa quantidade de água de um copo baixo e largo para um copo alto e fino. Quando questionada, a criança não costuma concluir que a quantidade de água permanece inalterada. O animismo e o realismo nominal também ocorrem com frequência no estágio pré-operacional. O realismo nominal consiste em atribuir vida aos objetos, supondo que estes são capazes de sentir, entender nossa fala e também falar.
  • Já no realismo nominal, a criança pré-operatória pensa que o nome faz parte do objeto. Esse fenômeno pode ser percebido em uma conversa entre crianças de três anos de idade, numa classe de pré-escola. O assunto da conversa é a família, mais especificamente a mãe de cada um. Tão logo Fernando escuta Gustavo dizer o nome de sua mãe, interrompe-o e, indignado, contesta: “É a minha mãe que é Vera”. Fernando não admitiu a hipótese de haver outra mãe com o mesmo nome da sua, pois percebia o nome Vera como atributo exclusivo de sua própria mãe.
  • Como ainda não desenvolveram uma concepção real de princípios abstratos que sirvam de orientação para suas tarefas, antes dos cinco anos as crianças encontrarão dificuldades na execução de tarefas que requeiram classificar objetos segundo suas categorias. Se colocarmos diante de crianças entre dois e quatro anos, um grupo de formas geométricas de plástico, de várias cores, e pedirmos que “coloquem juntas as coisas que se parecem”, elas não usarão um critério geral para fazer a tarefa, agrupando os objetos de maneira aleatória. Piaget nota, ainda, que a criança tem dificuldade em entender que uma coisa pode pertencer, ao mesmo tempo, a duas classes. Ela não compreenderá, por exemplo, que um indivíduo pode pertencer, ao mesmo tempo, a várias classes, como ser, paulistano, paulista e brasileiro.
  • Significativos ganhos desse estágio ocorrem no âmbito afetivo e social. Entre os seis e sete anos as conversas infantis se tornam mais socializadas e tem início certo desligamento da família em direção aos grupos de crianças. O estágio pré-operacional é considerado como uma transição, que por meio dos desafios que impõe, prepara a criança para o desenvolvimento das habilidades requeridas nos estágios posteriores.
  • 2.2.3. ESTÁGIO OPERATÓRIO-CONCRETO (7-12 ANOS) Nesse estágio, a criança, pela primeira vez,  atinge o uso das operações completamente lógicas, possibilitando o uso da lógica e do raciocínio de modo elementar, na manipulação de objetos concretos. O pensamento deixa de ser dominado pelas percepções e a criança torna-se capaz de resolver problemas que existem ou existiram (concretos) em sua experiência Nesse período se desenvolvem várias operações intelectuais. É importante lembrar que os esquemas mentais surgem a partir das operações. Diante de perguntas a respeito da quantidade de massa na "bola" ou na "salsicha" a criança, ao contrário do que ocorria no estágio pré-operacional, já compreende que as quantidades não mudam porque a forma muda. Nas tarefas de classificação, nota-se que ela já pode separar objetos com base em algumas características, tais como: cor, forma ou tamanho.
  • Com relação à inclusão de classe, a criança compreende as relações entre classe e subclasses, reconhecendo que um objeto pode pertencer a duas delas simultaneamente. Também se tornam claros os termos de relação e a criança começa a compreender conceitos como: maior, menor, direita, esquerda, alto, largo. Entende, portanto, que um irmão precisa ser irmão de alguém; um objeto precisa estar à direita ou à esquerda de alguma outra coisa, etc. A reversibilidade do pensamento também se constitui em um ganho cognitivo muito importante. Ao contrário do que acontece no estágio pré-operacional, neste estágio a criança percebe que se de São Paulo para Santos existem 70 km, de Santos para São Paulo também existem 70 km.
  • Neste estágio, porém, a criança não pensa ainda em termos abstratos, nem raciocina a respeito de proposições verbais, ou hipotéticas. Assim, experimenta dificuldade com os problemas verbais, econtrando dificuldades, por exemplo em responder perguntas como: "Sérgio é mais alto que Ricardo e mais baixo que Afonso. Quem é o mais alto dos três? Antes dos onze ou doze anos, as operações da inteligência infantil são unicamente concretas, se referem a objetos tangíveis e suscetíveis de serem manipulados. Por isso as crianças tendem a fracassar quando questionadas sobre hipóteses simples a partir de enunciados verbais e sentem dificuldade com problemas de aritmética. (mesmo quando dependem de operações conhecidas).
  • 2.2.4.  ESTÁGIO OPERATÓRIO-FORMAL (12 ANOS EM DIANTE) Neste estágio o pensamento já não depende da percepção ou da manipulação de objetos concretos. As operações lógicas podem ser realizadas entre as ideias, expressas em uma linguagem qualquer (palavras ou símbolos), sem necessidade da percepção ou manipulação da realidade. O pensamento formal é hipotético-dedutivo, possibilitando a dedução das conclusões de puras hipóteses e não somente da observação da realidade. O adolescente poderá considerar que hipóteses podem ou não ser verdadeiras e examinar o que resultará se essas hipóteses forem verdadeiras. Ele será capaz de acompanhar a forma de um argumento, embora ignore seu conteúdo concreto. Enquanto o pensamento de uma criança mais nova necessita de objetos concretos, o de um adolescente já pode trabalhar com possibilidades. O pensamento lógico-formal possibilita ao adolescente tornar-se consciente do próprio pensamento; justificar os julgamentos que faz e entender doutrinas filosóficas ou teorias científicas.
  • 3. A TEORIA PIAGETIANA NO AMBIENTE ESCOLAR A psicologia e pedagogia estabelecem relações recíprocas, ora na compreensão de sistematizar a inteligência, ora na integração sujeito e métodos de ensino. Essa relação constitui um elo interativo na formação dos sujeitos conscientes de seus papéis na construção dos conhecimentos. Segundo a concepção piagetiana, o sujeito e o mundo real – conhecimento físico e social – formam uma base estrutural para entendermos os processos educacionais a partir de prismas correlacionais na construção do conhecimento lógico-matemático, físico, social e cultural.
  • Além da lógica e matemática, algumas exigências básicas surgem na pesquisa da epistemologia genética: 1 – Pesquisa histórica das ideias científicas (e pré-científicas): designado como sociogênese, essa forma de pesquisa é relevante devido a sua indicação para gênese e transformação da ciência das formas mais primitivas (fenomenistas e egocêntricas nas representações míticas e animistas) aos momentos atuais, tanto mostra os conhecimentos lógico-matemáticos, como os conhecimentos físicos e socioculturais na evolução da sociedade e suas relações com a construção do sujeito nas esferas psicossociais. 2 – Pesquisa psicogenética: baseia-se na pesquisa experimental pela formulação de hipóteses epistemológicas, haja vista que se fundamenta no desenvolvimento individual como um processo psicobiofisiológico na sistematização das funções psicológicas.
  • 3.1 - A PESQUISA SOBRE O CONHECIMENTO LÓGICO-MATEMÁTICO A atuação dos sujeitos sobre o objeto forma a base de sustentação teórico-prática na pesquisa de Piaget sobre o conhecimento lógico-matemático, isto é, o indivíduo ao operar sobre um objeto, integra um processo construtivo entre as relações do meio com o objeto. As implicações pedagógicas sobre o conhecimento lógico-matemático, fonte das pesquisas psicogenéticas, apresentam a noção de número como produto da síntese das relações simétricas e assimétricas; diagnosticar o nível cognitivo por meio de provas operatórias; compreender o estágio intelectual e mental e não os processos de construção real (físico e cultural).  
  • Como consequência, então, de privilegiar-se o estudo das estruturas lógico-matemáticas e deixar-se num segundo plano os estudos sobre a aquisição e desenvolvimento do conhecimento do mundo real (escrita, ciências da natureza, geografia, história, etc.) o pensamento piagetiano foi alvo de severas críticas no meio educacional. Ainda se diz hoje que a teoria piagetiana é “cognitivista” por estar interessado somente em diagnosticar as estruturas gerais do conhecimento e por isso alheio às questões de conteúdos de conhecimentos específicos. Associado com essa crítica estaria a negligência da teoria piagetiana para as questões sociais e culturais, a que é evidentemente falsa.  
  • 3.2 - A PESQUISA SOBRE O CONHECIMENTO FÍSICO   A pesquisa piagetiana buscou estudar formas de representação ou modelos de interpretação na aquisição do conhecimento físico. Segundo Montoya (2001, p. 69) a aquisição do conhecimento físico é ligada à compreensão do mundo exterior de forma intrínseca às particularidades do objeto por meio de operações e explicações de forma progressiva. Tal parâmetro sustenta as relações do sujeito com objeto na depreensão simbólica seja pela abstração empírica (particularidades do objeto), seja abstrações reflexionantes (a ligação das particularidades do objeto com o sujeito). A aquisição do conhecimento físico dá-se por meio da organização e à relação das propriedades específicas dos objetos no sistema dialógico do sujeito com ele pelas abstrações empíricas, consequentemente, abstrações reflexionantes estabelecem entender particularidades do objeto, no entanto, essas evidências não são regulares, pois, essas relações são fenomênicas e egocêntricas. Tais relações impedem a composição operatória e a fraqueza da composição impede o afastamento da ideias primitivas, que é a base da sistematização da ideias entre o processo específico do objeto nas relações com o sujeito.
  • Tais relações impedem a composição operatória e a fraqueza da composição impede o afastamento da ideias primitivas, que é a base da sistematização da ideias entre o processo específico do objeto nas relações com o sujeito. Dentro da esfera pedagógica, a pesquisa conclui que experimentação e a convivência estabelecem evidentes progressões na formação do espírito científico físico dando ao aluno inter-relacionar conteúdos, problematização, leituras, levantamento de dados a partir de da consciência progressiva que envolve a construção do raciocínio lógico.
  • 3.3 - A PESQUISA SOBRE OS CONHECIMENTOS SOCIAIS E CULTURAIS   A pesquisa neste campo está ligada a sociogenética e psicogenética, pois, a apropriação progressiva de conteúdos sociais e culturais contribui para a representação e por processos progressivos nas ações formais estabelecendo relações de formação construtiva do sujeito com o mundo real. No âmbito pedagógico essa pesquisa entende que não se deve transmitir conhecimento, apenas, porém, apresentar a existência estruturada de modelos originais e processos de transformação constitutivos das bases interpretativas na construção comum dos objetos do mundo real vistos pela abstração empírica do aluno, para isso, o educador situado no contexto sociocultural observada as peculiaridades de setores do conhecimento e sua ligação com tempo e o espaço para possibilitar a construção do conhecimento.
  • 3.4 - A PESQUISA SOBRE DESENVOLVIMENTO MORAL   Nesta área os fundamentos apresentam a construção dos valores morais por meio das leis no processo da construção do real por parte do indivíduo. Há algumas particularidades na construção da moral. O aspecto sensório-motor desenvolve a representação e pensamento humano, assim, a formação da moral ocorre numa continuidade e descontinuidade entre o mecanismo motor e do princípio de representação na tomada de consciência. Essa consciência moral parte das relações da ação praticada na base da moral e na introspecção estrutural da intelecção. Outro aspecto é a relação entre os indivíduos que estabelecem uma educação moral sem considerar os princípios estabelecidos teoricamente. A relação respeito e lei moral estão em dois tipos: respeito unilateral - surge na disparidade de relações construídas pelo sujeito gerando o sentimento do dever; respeito mútuo -se concebe na relação de cooperação, estabelecida pela organização a partir do contato com os indivíduos que se respeitam.
  • A evolução da prática da consciência da regra pode ser dividida em três etapas: ANOMIA HETERONOMIA AUTONOMIA
  • ANOMIA Trata-se da fase pré-moral, durante a qual a criança segue regras, rotinas do dia-a-dia, mas ainda não está mobilizada pelas questões do bem e do mal, do certo e do errado, do moral e do imoral. Antes dos seis anos a criança apresentará dificuldade para seguir regras coletivas; interessando-se pelos jogos coletivos mais pela satisfação de seus interesses motores e lúdicos que pela participação em uma atividade coletiva.
  • HETERONOMIA Nesta fase a moral é profundamente relacionada à autoridade, ao dever. Ao participar de jogos coletivos, pelos quais já se interessam, as crianças dessa fase mostram-se inflexíveis quanto à mudanças nas regras. Isso porque não conseguem vislumbrar as regras como um acordo entre os jogadores, mas sim como algo imutável. Quando colocada na posição de juiz, as concepções morais da criança heterônoma não permitem que ela leve em consideração, por exemplo, a intencionalidade ou não de uma ação como critério para julgar suas ações ou a de terceiros. Portanto, em seu julgamento, uma criança que quebrou um copo sem querer tem tanta “culpa” quanto àquela que quebrou o copo intencionalmente
  • AUTONOMIA por volta dos oito ou nove anos a criança começa a descartar a dimensão da autoridade para legitimar as regras e decidir suas condutas a partir da análise das mesmas. Ela passa a considerar aspectos como respeito mútuo e reciprocidade e a questionar a razão de ser das regras, colocando-se como juiz competente para pensar se algo está certo ou errado. Essa nova perspectiva possibilita compreender as regras de um jogo como decorrentes de acordos entre os jogadores, que podem ser modificadas mediante a apreciação e aceitação dos membros do grupo.
  • Na perspectiva educacional, a moral deve ser vista em termos designados por Piaget como “educação-transversal” sem que tenha caráter de disciplina, mas que seja situação no universo escolar pelas práticas morais conduzidas sob forma da progressão construtiva do sujeito em diversas formas de experimentar realidades, possibilitando ao indivíduo a descoberta da moral em diversos setores da realidade, ademais, no desenvolvimento da moral devemos considerar o contexto espaço-temporal particular, haja vista que o indivíduo adquire consciência de seu papel a partir da relação de coerção social estabelecida, não sendo prescrita de modo geral, mas contextualizada a partir de realidades adversas. Com isso, “A obrigação moral, portanto, exige tanto interiorização de regras exteriores quanto composição operatória”
  • 3.5 - A PESQUISA SOBRE AS ORIGENS E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM As hipóteses da origem do pensamento humano fundamentam a presente pesquisa, pois, o pensamento humano é extensão de reconstrução do esquematismo sensório-motor, assim, a criança arroga significados complexos e objetivos do mundo exterior imediato. O desenvolvimento da linguagem está ligado ao desenvolvimento da própria linguagem pela relação recíproca existente. Portanto, a partir do momento que esquematismo se desenvolve dentro da sistematização pré-conceituais e conceituais surge o processo de simbolização, assim como, a produção linguística vai se estruturando e aprimorando pela percepção transformativa das bases linguísticas existentes: fonética, sintática e semântica na interação social do homem com seu objeto e do objeto com o mundo. A troca de experiências do sujeito com o mundo possibilita a representação discursiva no ato sócio comunicativo, sem essa interação a significação é comprometida pela ausência da ação do sujeito promovendo a artificialidade linguística, sabemos que linguagem e pensamento estabelecem um relação de compromisso latente na esfera das relações humanas.
  • 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZENHA, M. G. Construtivismo de Piaget à Emilia Ferreiro. São Paulo. 7a ed. Ática, 2003.   BARDUCHI, A. L. J. As concepções de desenvolvimento e aprendizagem na teoria psicogenética de Jean Piaget. Movimento e Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.4, n.4/5, jan./dez. 2004.   BARROS, C. S. G. Psicologia e Construtivismo. São Paulo: Ática, 1996. BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. 9ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.   CARVALHO, J. F. Construtivismo: uma pedagogia esquecida da escola. Porto Alegre: Artmed editora, 2001.   CHAKUR, C. R. S. L. Contribuições da Pesquisa Psicogenética para a Educação Escolar. Psicologia Teoria e Pesquisa. Araraquara, v.21, n.3, p. 289 – 296, set./dez. 2005.   DAVIDOFF, L. L. Introdução à Psicologia. 3 ed., São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 2000. GAVALDON, L.. Alfabetização e construtivismo. 2ª ed. São Paulo: Educon, 2005.
  • LAJONQUIÈRE, L. Piaget: Notas para uma teoria construtivista da inteligência. Psicologia USP. São Paulo, v. 08, n.1, 1997.   MACEDO, L. O ancestral do humano e o futuro da humanidade. Viver Mente e Cérebro, Coleção Memória da Pedagogia, nº 1, Jean Piaget. São Paulo: Segmento Duetto, 2005.   MONTOYA, A. O. D. Pensamento e Linguagem: Percurso Piagetiano de Investigação. Psicologia em Estudo, Maringá, v.11, n.1, p. 119 – 127, jan./abr. 2006. PIAGET, J. Seis estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003. ____________ Para Onde Vai a Educação? 13ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.   PLACCO, V. M. N. S. (org.), MAHONEY, A., PINO A., ALMEIDA, L. R., MORGADO, M. A., LUNA, S. V. Psiologia & Educação - Revendo Contribuições. São Paulo, p. 117 - 144, EDUC - FAPESP, 2005.   RAMOZZI-CHIAROTINNO. Os “estágios” do desenvolvimento da inteligência. Viver Mente e Cérebro, Coleção Memória da Pedagogia, nº 1, Jean Piaget. São Paulo: Segmento Duetto, 2005.   RAPPAPORT, C. R.. Psicologia do desenvolvimento: teorias do desenvolvimento, conceitos fundamentais. São Paulo: EPU, 1981.   SARAVALI, E. G. Contribuições da Teoria de Piaget para a Formação de Professores. Estudos piagetianos e psicologia genética. Campinas, v. 5, n. 2, p. 23 - 41, ETD, jun 2004.
  • DAVID SERGIO HORNBLAS Psicólogo – CRP 06/13.656 dshornblas@gmail.com / david.hornblas@terra.com.br www.davidhornblas.com.br