Curso Online de Prevalência da Cisticercose Bovina

Curso Online de Prevalência da Cisticercose Bovina

Um grande aprendizado em relação a Cisticercose Bovina e saúde pública.

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Um grande aprendizado em relação a Cisticercose Bovina e saúde pública.

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  • prevalência da cisticercose bovina

  • 1 INTRODUÇÃO   O gênero Taenia pertence à família Taenidae, à classe Cestoidea e à ordem Cyclophyllidea (REY, 2001). Os cestódeos Taenia solium (Linnaeus, 1758) e Taenia saginata (GOEZE, 1782) são responsáveis pela teníase humana, alteração provocada pela presença de forma adulta no intestino delgado do hospedeiro definitivo, o homem. A cisticercose é a alteração provocada pela presença das formas larvais (Cysticercus cellulosae e Cysticercus bovis) presentes nos tecidos de hospedeiros intermediários, respectivamente suínos e bovinos. (NEVES et al., 2005). Há, portanto, três fases com relação à população de parasitas: Adulto no hospedeiro definitivo, ovos (Figura 1) no ambiente e cisticercos (fase larval) no hospedeiro intermediário (GEMMEL ; LAWSON, 1982).     Figura 1 Ovos de Taenia sp. Fonte: www.ff.ul.pt/paginas/aduarte/pedag/nana1.jpg  

    1 introdução   o gênero taenia pertence à família taenidae, à classe cestoidea e à ordem cyclophyllidea (rey, 2001). os cestódeos taenia solium (linnaeus, 1758) e taenia saginata (goeze, 1782) são responsáveis pela teníase humana, alteração provocada pela presença de forma adulta no intestino delgado do hospedeiro definitivo, o homem. a cisticercose é a alteração provocada pela presença das formas larvais (cysticercus cellulosae e cysticercus bovis) presentes nos tecidos de hospedeiros intermediários, respectivamente suínos e bovinos. (neves et al., 2005). há, portanto, três fases com relação à população de parasitas: adulto no hospedeiro definitivo, ovos (figura 1) no ambiente e cisticercos (fase larval) no hospedeiro intermediário (gemmel ; lawson, 1982).     figura 1 ovos de taenia sp. fonte: www.ff.ul.pt/paginas/aduarte/pedag/nana1.jpg  

  • Segundo Rey (2002), os parasitos adultos vivem durante muito tempo, havendo referências a uma sobrevida que poderia chegar a 25 anos, em infecções por T. solium, e 30 anos no parasitismo por T. saginata em seu hospedeiro definitivo, os humanos. O parasito adulto de Taenia solium mede de 3 a 5 metros de comprimento. A cabeça ou escólex são providas de 4 ventosas e rostro armado com duplas coroas de ganchos. Segue-se o colo ou pescoço e o estróbilo ou corpo. O corpo é segmentado e constituído por proglotes ou anéis. Estas estruturas são mais largas que longas e, junto ao colo, não mostram qualquer indício do futuro aparelho genital. Os anéis um pouco mais afastados do escólex já exibem os esboços do aparelho reprodutor, sendo as proglotes maduras denominadas proglotes grávidas, assim denominadas por estarem repletas de ovos.

    segundo rey (2002), os parasitos adultos vivem durante muito tempo, havendo referências a uma sobrevida que poderia chegar a 25 anos, em infecções por t. solium, e 30 anos no parasitismo por t. saginata em seu hospedeiro definitivo, os humanos. o parasito adulto de taenia solium mede de 3 a 5 metros de comprimento. a cabeça ou escólex são providas de 4 ventosas e rostro armado com duplas coroas de ganchos. segue-se o colo ou pescoço e o estróbilo ou corpo. o corpo é segmentado e constituído por proglotes ou anéis. estas estruturas são mais largas que longas e, junto ao colo, não mostram qualquer indício do futuro aparelho genital. os anéis um pouco mais afastados do escólex já exibem os esboços do aparelho reprodutor, sendo as proglotes maduras denominadas proglotes grávidas, assim denominadas por estarem repletas de ovos.

  • A Taenia saginata mede de 6 a 7 metros e não possui ganchos no escólex, apenas ventosas (CARRADA, 1987 ; GEMMEL et al., 1983; HUGGINS, 1989) (Figura 2). Cada proglote grávida de T. saginata contém em torno de 80.000 ovos, sendo que um paciente parasitado pode contaminar o meio ambiente com cerca de 700.000 ovos por dia (REY, 2002) (Figura 3).       Figura 2 Escólex de T. saginata. Fonte: http://www.mundoeducacao.com.br/doencas/teniase.htm               Figura 3 Proglote grávida de T. saginata Fonte: http://www.territorioscuola.com/wikipedia/pt.wikipedia.php

    a taenia saginata mede de 6 a 7 metros e não possui ganchos no escólex, apenas ventosas (carrada, 1987 ; gemmel et al., 1983; huggins, 1989) (figura 2). cada proglote grávida de t. saginata contém em torno de 80.000 ovos, sendo que um paciente parasitado pode contaminar o meio ambiente com cerca de 700.000 ovos por dia (rey, 2002) (figura 3).       figura 2 escólex de t. saginata. fonte: http://www.mundoeducacao.com.br/doencas/teniase.htm               figura 3 proglote grávida de t. saginata fonte: http://www.territorioscuola.com/wikipedia/pt.wikipedia.php

  • O homem é o principal disseminador da cisticercose bovina, pois alberga o parasito adulto da T. saginata no intestino delgado e elimina ovos ou proglotes do parasito, contaminando o ambiente. A infecção ocorre quando o bovino ingere água, pastagens ou outros alimentos contaminados por fezes de pessoas portadoras do verme. Nestes alimentos estão presentes ovos do verme que, no interior do intestino do bovino, liberam formas larvares infectantes do parasito. Estas, ao atravessarem a parede intestinal do bovino, ganham à circulação sanguínea e migram para os tecidos, onde se encistam e formam os cisticercos (Cysticercus bovis), também conhecidos como “canjiquinhas”. Cérebro e musculatura são os tecidos de predileção para a formação dos cisticercos. Quando o homem ingere carne bovina crua ou mal cozida contendo cisticercos viáveis, estes evoluem para a forma adulta do verme no interior do seu intestino, fechando assim o ciclo do parasito (QUEIROZ et al., 2000). (Figura 4).

    o homem é o principal disseminador da cisticercose bovina, pois alberga o parasito adulto da t. saginata no intestino delgado e elimina ovos ou proglotes do parasito, contaminando o ambiente. a infecção ocorre quando o bovino ingere água, pastagens ou outros alimentos contaminados por fezes de pessoas portadoras do verme. nestes alimentos estão presentes ovos do verme que, no interior do intestino do bovino, liberam formas larvares infectantes do parasito. estas, ao atravessarem a parede intestinal do bovino, ganham à circulação sanguínea e migram para os tecidos, onde se encistam e formam os cisticercos (cysticercus bovis), também conhecidos como “canjiquinhas”. cérebro e musculatura são os tecidos de predileção para a formação dos cisticercos. quando o homem ingere carne bovina crua ou mal cozida contendo cisticercos viáveis, estes evoluem para a forma adulta do verme no interior do seu intestino, fechando assim o ciclo do parasito (queiroz et al., 2000). (figura 4).

    figura 4 ciclo biológico da t. saginata.
    fonte: http://rehagronoticia.w3erp.com.br

  • O hábito das pessoas defecarem diretamente no ambiente ou em sanitários com fossa inadequadas, ou seja, sem comunicação com a rede coletora, muitas delas instaladas sobre córregos e rios, contribuem para a contaminação do ambiente com proglotes contendo ovos (ACHA ; SZYFRES, 1986). Para Gemmel e Lawson (1982), a ingestão de ovos pelos animais se dá na maior parte das vezes, por ingestão de fezes. Os bovinos normalmente evitam pastar ao redor de fezes, mas podem sob condições adversas, por falta de alimentos ingerirem fezes. Entretanto, a viabilidade dos ovos no meio ambiente pode facilitar a infecção, sem que necessariamente, o animal ingira fezes.

    o hábito das pessoas defecarem diretamente no ambiente ou em sanitários com fossa inadequadas, ou seja, sem comunicação com a rede coletora, muitas delas instaladas sobre córregos e rios, contribuem para a contaminação do ambiente com proglotes contendo ovos (acha ; szyfres, 1986). para gemmel e lawson (1982), a ingestão de ovos pelos animais se dá na maior parte das vezes, por ingestão de fezes. os bovinos normalmente evitam pastar ao redor de fezes, mas podem sob condições adversas, por falta de alimentos ingerirem fezes. entretanto, a viabilidade dos ovos no meio ambiente pode facilitar a infecção, sem que necessariamente, o animal ingira fezes.

  • Segundo Fernandes (2002) os cisticercos tendem a se localizar nos músculos com rico suprimento de mioglobina, onde ocorre uma melhor oxigenação dos tecidos, como o masseter, a língua, o coração, o esôfago e o diafragma. Após duas semanas de ingestão dos ovos, os cisticercos podem ser vistos a olho nu (Figura 5), com 2 a 5 mm, e com completo amadurecimento para futura infecção do hospedeiro definitivo, ao decorrer de 10 semanas (REY, 2002).

    segundo fernandes (2002) os cisticercos tendem a se localizar nos músculos com rico suprimento de mioglobina, onde ocorre uma melhor oxigenação dos tecidos, como o masseter, a língua, o coração, o esôfago e o diafragma. após duas semanas de ingestão dos ovos, os cisticercos podem ser vistos a olho nu (figura 5), com 2 a 5 mm, e com completo amadurecimento para futura infecção do hospedeiro definitivo, ao decorrer de 10 semanas (rey, 2002).

    figura 5 cisticerco vivo em músculo cardíaco de bovino
    fonte: http://unesp.br/ses/upload_ses/portal_demo/2_20060510_120010.jpg

  • O complexo teníase-cisticercose constitui um sério problema de saúde pública em países onde existem precárias condições sanitárias, sócio-econômica e cultural, que contribuem para a transmissão. Segundo Rey (2002) é condicionada pelo consumo da carne bovina crua e mal cozida. Este hábito não está relacionado com a preferência das pessoas, mas também com o uso de alguns pratos tradicionais em muitos países, como o “bife tártaro”, na Rússia. A presença do parasito no organismo humano causa perturbações digestivas, a exemplo das cólicas abdominais e reações tóxico-alérgicas, o que facilita a ação de bactérias oportunistas da microbiota intestinal. A ação deletéria dos cisticercos da T. saginata é polêmica, sendo raras as migrações para os órgãos vitais (CARVALHO et al., 1998).

    o complexo teníase-cisticercose constitui um sério problema de saúde pública em países onde existem precárias condições sanitárias, sócio-econômica e cultural, que contribuem para a transmissão. segundo rey (2002) é condicionada pelo consumo da carne bovina crua e mal cozida. este hábito não está relacionado com a preferência das pessoas, mas também com o uso de alguns pratos tradicionais em muitos países, como o “bife tártaro”, na rússia. a presença do parasito no organismo humano causa perturbações digestivas, a exemplo das cólicas abdominais e reações tóxico-alérgicas, o que facilita a ação de bactérias oportunistas da microbiota intestinal. a ação deletéria dos cisticercos da t. saginata é polêmica, sendo raras as migrações para os órgãos vitais (carvalho et al., 1998).

  • Entre os países com alta endemicidade de teníase humana (prevalência a 10%) destaca-se, na África: Etiópia, Quênia, Zaire, Suazilândia e Guiné-Bissau, na Região Mediterrânea e no Cáucaso: Síria, Líbano, República Caucásicas e da Ásia Central (REY, 2001). Nas últimas décadas, a infecção por T. saginata tem aumentado nos países europeus (Reino Unido, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Alemanha, Itália e Polônia), o que é confirmado pelas elevadas taxas de infecção do gado nos matadouros dessas nações (REY, 2001).

    entre os países com alta endemicidade de teníase humana (prevalência a 10%) destaca-se, na áfrica: etiópia, quênia, zaire, suazilândia e guiné-bissau, na região mediterrânea e no cáucaso: síria, líbano, república caucásicas e da ásia central (rey, 2001). nas últimas décadas, a infecção por t. saginata tem aumentado nos países europeus (reino unido, dinamarca, holanda, bélgica, alemanha, itália e polônia), o que é confirmado pelas elevadas taxas de infecção do gado nos matadouros dessas nações (rey, 2001).

  • A prevenção da teníase humana apóia-se em um conjunto de medidas, que visam impedir a infecção do homem pela T. saginata, bloqueando o ciclo de transmissão deste parasito. Entre essas medidas, a inspeção sanitária de carnes realizada em matadouros-frigoríficos representa um importante método preventivo, impedindo que carcaças impróprias para consumo humano sejam comercializadas (CORRÊA et al., 1997). Guirra (2002) relata que as carcaças ou órgãos parasitados por Cisticercus bovis podem ter destinos variados dependendo do grau de acometimento, seguindo para a salga, conserva, congelamento até a condenação total, causando graves prejuízos a quem cria, recria e/ ou engorda o gado para abate. Segundo o autor, o preço da carcaça estaria na faixa de R$ 850,00 a 1.000,00 e os prejuízos são estimados em casos de cisticercose viva numa queda de até 30% no preço do bovino abatido. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (1996) outro fator que prejudica a ação de medidas preventivas e de controle da doença é a clandestinidade do abate, que atinge elevados percentuais, acarretando sérios problemas à saúde pública e gravíssimos danos à indústria idônea e organizada.

    a prevenção da teníase humana apóia-se em um conjunto de medidas, que visam impedir a infecção do homem pela t. saginata, bloqueando o ciclo de transmissão deste parasito. entre essas medidas, a inspeção sanitária de carnes realizada em matadouros-frigoríficos representa um importante método preventivo, impedindo que carcaças impróprias para consumo humano sejam comercializadas (corrêa et al., 1997). guirra (2002) relata que as carcaças ou órgãos parasitados por cisticercus bovis podem ter destinos variados dependendo do grau de acometimento, seguindo para a salga, conserva, congelamento até a condenação total, causando graves prejuízos a quem cria, recria e/ ou engorda o gado para abate. segundo o autor, o preço da carcaça estaria na faixa de r$ 850,00 a 1.000,00 e os prejuízos são estimados em casos de cisticercose viva numa queda de até 30% no preço do bovino abatido. segundo a fundação nacional de saúde (1996) outro fator que prejudica a ação de medidas preventivas e de controle da doença é a clandestinidade do abate, que atinge elevados percentuais, acarretando sérios problemas à saúde pública e gravíssimos danos à indústria idônea e organizada.

  • O conhecimento da prevalência da doença, tanto no homem quanto nos animais, é deficiente devido à falta de dados sistemáticos, fidedignos e comparáveis (BARBOSA et al., 2006). Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento da prevalência da cisticercose e as partes anatômicas de bovinos abatidos mais acometidos pela cisticercose em matadouro-frigorífico do município de Várzea Grande, estado de Mato Grosso, submetido ao Serviço de Inspeção Federal, no período entre janeiro de 2006 a dezembro de 2007.                          

    o conhecimento da prevalência da doença, tanto no homem quanto nos animais, é deficiente devido à falta de dados sistemáticos, fidedignos e comparáveis (barbosa et al., 2006). nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento da prevalência da cisticercose e as partes anatômicas de bovinos abatidos mais acometidos pela cisticercose em matadouro-frigorífico do município de várzea grande, estado de mato grosso, submetido ao serviço de inspeção federal, no período entre janeiro de 2006 a dezembro de 2007.                          


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  • 1 INTRODUÇÃO   O gênero Taenia pertence à família Taenidae, à classe Cestoidea e à ordem Cyclophyllidea (REY, 2001). Os cestódeos Taenia solium (Linnaeus, 1758) e Taenia saginata (GOEZE, 1782) são responsáveis pela teníase humana, alteração provocada pela presença de forma adulta no intestino delgado do hospedeiro definitivo, o homem. A cisticercose é a alteração provocada pela presença das formas larvais (Cysticercus cellulosae e Cysticercus bovis) presentes nos tecidos de hospedeiros intermediários, respectivamente suínos e bovinos. (NEVES et al., 2005). Há, portanto, três fases com relação à população de parasitas: Adulto no hospedeiro definitivo, ovos (Figura 1) no ambiente e cisticercos (fase larval) no hospedeiro intermediário (GEMMEL ; LAWSON, 1982).     Figura 1 Ovos de Taenia sp. Fonte: www.ff.ul.pt/paginas/aduarte/pedag/nana1.jpg  
  • Segundo Rey (2002), os parasitos adultos vivem durante muito tempo, havendo referências a uma sobrevida que poderia chegar a 25 anos, em infecções por T. solium, e 30 anos no parasitismo por T. saginata em seu hospedeiro definitivo, os humanos. O parasito adulto de Taenia solium mede de 3 a 5 metros de comprimento. A cabeça ou escólex são providas de 4 ventosas e rostro armado com duplas coroas de ganchos. Segue-se o colo ou pescoço e o estróbilo ou corpo. O corpo é segmentado e constituído por proglotes ou anéis. Estas estruturas são mais largas que longas e, junto ao colo, não mostram qualquer indício do futuro aparelho genital. Os anéis um pouco mais afastados do escólex já exibem os esboços do aparelho reprodutor, sendo as proglotes maduras denominadas proglotes grávidas, assim denominadas por estarem repletas de ovos.
  • A Taenia saginata mede de 6 a 7 metros e não possui ganchos no escólex, apenas ventosas (CARRADA, 1987 ; GEMMEL et al., 1983; HUGGINS, 1989) (Figura 2). Cada proglote grávida de T. saginata contém em torno de 80.000 ovos, sendo que um paciente parasitado pode contaminar o meio ambiente com cerca de 700.000 ovos por dia (REY, 2002) (Figura 3).       Figura 2 Escólex de T. saginata. Fonte: http://www.mundoeducacao.com.br/doencas/teniase.htm               Figura 3 Proglote grávida de T. saginata Fonte: http://www.territorioscuola.com/wikipedia/pt.wikipedia.php
  • O homem é o principal disseminador da cisticercose bovina, pois alberga o parasito adulto da T. saginata no intestino delgado e elimina ovos ou proglotes do parasito, contaminando o ambiente. A infecção ocorre quando o bovino ingere água, pastagens ou outros alimentos contaminados por fezes de pessoas portadoras do verme. Nestes alimentos estão presentes ovos do verme que, no interior do intestino do bovino, liberam formas larvares infectantes do parasito. Estas, ao atravessarem a parede intestinal do bovino, ganham à circulação sanguínea e migram para os tecidos, onde se encistam e formam os cisticercos (Cysticercus bovis), também conhecidos como “canjiquinhas”. Cérebro e musculatura são os tecidos de predileção para a formação dos cisticercos. Quando o homem ingere carne bovina crua ou mal cozida contendo cisticercos viáveis, estes evoluem para a forma adulta do verme no interior do seu intestino, fechando assim o ciclo do parasito (QUEIROZ et al., 2000). (Figura 4).
  • O hábito das pessoas defecarem diretamente no ambiente ou em sanitários com fossa inadequadas, ou seja, sem comunicação com a rede coletora, muitas delas instaladas sobre córregos e rios, contribuem para a contaminação do ambiente com proglotes contendo ovos (ACHA ; SZYFRES, 1986). Para Gemmel e Lawson (1982), a ingestão de ovos pelos animais se dá na maior parte das vezes, por ingestão de fezes. Os bovinos normalmente evitam pastar ao redor de fezes, mas podem sob condições adversas, por falta de alimentos ingerirem fezes. Entretanto, a viabilidade dos ovos no meio ambiente pode facilitar a infecção, sem que necessariamente, o animal ingira fezes.
  • Segundo Fernandes (2002) os cisticercos tendem a se localizar nos músculos com rico suprimento de mioglobina, onde ocorre uma melhor oxigenação dos tecidos, como o masseter, a língua, o coração, o esôfago e o diafragma. Após duas semanas de ingestão dos ovos, os cisticercos podem ser vistos a olho nu (Figura 5), com 2 a 5 mm, e com completo amadurecimento para futura infecção do hospedeiro definitivo, ao decorrer de 10 semanas (REY, 2002).
  • O complexo teníase-cisticercose constitui um sério problema de saúde pública em países onde existem precárias condições sanitárias, sócio-econômica e cultural, que contribuem para a transmissão. Segundo Rey (2002) é condicionada pelo consumo da carne bovina crua e mal cozida. Este hábito não está relacionado com a preferência das pessoas, mas também com o uso de alguns pratos tradicionais em muitos países, como o “bife tártaro”, na Rússia. A presença do parasito no organismo humano causa perturbações digestivas, a exemplo das cólicas abdominais e reações tóxico-alérgicas, o que facilita a ação de bactérias oportunistas da microbiota intestinal. A ação deletéria dos cisticercos da T. saginata é polêmica, sendo raras as migrações para os órgãos vitais (CARVALHO et al., 1998).
  • Entre os países com alta endemicidade de teníase humana (prevalência a 10%) destaca-se, na África: Etiópia, Quênia, Zaire, Suazilândia e Guiné-Bissau, na Região Mediterrânea e no Cáucaso: Síria, Líbano, República Caucásicas e da Ásia Central (REY, 2001). Nas últimas décadas, a infecção por T. saginata tem aumentado nos países europeus (Reino Unido, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Alemanha, Itália e Polônia), o que é confirmado pelas elevadas taxas de infecção do gado nos matadouros dessas nações (REY, 2001).
  • A prevenção da teníase humana apóia-se em um conjunto de medidas, que visam impedir a infecção do homem pela T. saginata, bloqueando o ciclo de transmissão deste parasito. Entre essas medidas, a inspeção sanitária de carnes realizada em matadouros-frigoríficos representa um importante método preventivo, impedindo que carcaças impróprias para consumo humano sejam comercializadas (CORRÊA et al., 1997). Guirra (2002) relata que as carcaças ou órgãos parasitados por Cisticercus bovis podem ter destinos variados dependendo do grau de acometimento, seguindo para a salga, conserva, congelamento até a condenação total, causando graves prejuízos a quem cria, recria e/ ou engorda o gado para abate. Segundo o autor, o preço da carcaça estaria na faixa de R$ 850,00 a 1.000,00 e os prejuízos são estimados em casos de cisticercose viva numa queda de até 30% no preço do bovino abatido. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (1996) outro fator que prejudica a ação de medidas preventivas e de controle da doença é a clandestinidade do abate, que atinge elevados percentuais, acarretando sérios problemas à saúde pública e gravíssimos danos à indústria idônea e organizada.
  • O conhecimento da prevalência da doença, tanto no homem quanto nos animais, é deficiente devido à falta de dados sistemáticos, fidedignos e comparáveis (BARBOSA et al., 2006). Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi fazer um levantamento da prevalência da cisticercose e as partes anatômicas de bovinos abatidos mais acometidos pela cisticercose em matadouro-frigorífico do município de Várzea Grande, estado de Mato Grosso, submetido ao Serviço de Inspeção Federal, no período entre janeiro de 2006 a dezembro de 2007.