Curso Online de Interpretação do Livro Cântico dos Cânticos ao Longo da História Judaico-cristã

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O Cântico dos Cânticos ou Cantares de Salomão é um dos livros mais polêmicos das Escrituras. A polêmica reside no fato do livro relatar u...

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O Cântico dos Cânticos ou Cantares de Salomão é um dos livros mais polêmicos das Escrituras. A polêmica reside no fato do livro relatar um romance recheado de erotismo e sensualidade, encontrados em situações, detalhes e metáforas que enaltecem as partes dos corpos dos amantes. A grande pergunta que inquieta os leitores deste livro até os dias de hoje é: Como um livro com esse teor foi considerado sagrado? Por que ele encontra-se nas Escrituras se não há nenhuma menção ao nome de Deus ou aos seus propósitos?

Prof. Rogério Adriano Pinto; Bacharel em Teologia pela FEPAR - Faculdade Evangélica do Paraná; Licenciado em Geografia pela UFPR - Universidade Federal do Paraná.



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  • A Interpretação do Livro Cântico dos Cânticos ao Longo da História Judaico-cristã

    a interpretação do livro cântico dos cânticos ao longo da história judaico-cristã

    prof. rogério adriano pinto
    bacharel em teologia pela fepar – faculdade evangélica do paraná

  • Personagens

    o cântico dos cânticos ou cantares de salomão é um dos livros mais polêmicos das escrituras. a polêmica reside no fato do livro relatar um romance recheado de erotismo e sensualidade, encontrados em situações, detalhes e metáforas que enaltecem as partes dos corpos dos amantes. a grande pergunta que inquieta os leitores deste livro até os dias de hoje é: como um livro com esse teor foi considerado sagrado? por que ele encontra-se nas escrituras se não há nenhuma menção ao nome de deus ou aos seus propósitos?

    o livro do cântico apresenta a história de amor de duas pessoas. alguns estudiosos acreditam ser entre o rei salomão e a jovem camponesa sulamita, outros, como calvani, acreditam que a história de amor refere-se a sulamita e um pastor de ovelhas que tem seu relacionamento ameaçado pela insistência sedutora de uma terceira pessoa, nesse caso o rei salomão.[1] o rei tenta conquistar a jovem com jóias e perfumes (ct. 1.11,12), mas ela tem seu pensamento voltado somente para o amado (ct. 1.7) e ao invés dos perfumes, continua a “preferir o cheiro do campo que há no corpo de seu amado (ct. 1.13,14)”.[2]

    [1] calvani, carlos eduardo b. cântico dos cânticos: notas erótico-exegéticas. revista inclusividade n.2. 2002. disponível em: . acesso em: 30/07/2009.
    [2] calvani, op.cit. p.3

    personagens

  • Interpretação Alegórica

    o cântico dos cânticos apresenta várias interpretações ao longo de sua história, cada uma delas dando um sentido ao texto. dentre as principiais que serão abordadas neste artigo estão a que consideram o cântico como uma alegoria; como um drama ou peça teatral; como um epitalâmio;[3] como uma antologia amorosa; como um mito-cultual e a que o interpreta de maneira literal.

    a interpretação alegórica, segundo ellisen, retrata o amor entre os personagens como sendo o amor de deus para com israel.[4] a igreja cristã primitiva interpretou como sendo o amor de cristo para com a igreja. essa forma de interpretação é a que mais tempo dominou os círculos judaico-cristãos.

    [3] poema ou canto nupcial.
    [4] ellisen, stanley. conheça melhor o antigo testamento. são paulo: vida, 1991.

    interpretação alegórica

  • segundo cavalcanti, a interpretação alegórica do cântico é uma invenção rabínica que surgiu por volta do ano 70 d.c. provavelmente para explicar o escândalo de sua presença no cânon.[5] o grande inaugurador da tradição da interpretação alegórica do cântico dos cânticos foi o grande rabi aquiva. segundo pelletier, aquiva defendeu a canonicidade do cântico na assembléia de yavné no fim do século i.[6] essa defesa aconteceu devido ao uso inadequado do cântico fora dos ambientes religiosos, para aquiva a alegoria do livro ajuda a compreender o amor de deus por israel.

    a primeira interpretação alegórica foi de caráter histórico: “uma alegoria do amor divino pelo povo eleito, representado pela história de israel desde a saída dos hebreus do egito até a futura chegada do messias”.[7] pelletier comenta que o targum judaico apresenta o poema do cântico como uma síntese da história de israel desde moisés, evocando a libertação do egito, a lei, a construção do templo, o exílio e o retorno.[8]

    [5] cavalcanti, geraldo holanda. cântico dos cânticos: um ensaio de interpretação através de suas traduções. são paulo: editora da universidade de são paulo, 2005.
    [6] apud. araújo da silva, reginaldo de abreu. cântico dos cânticos e o amor humano: um estudo a partir da psicologia junguiana. dissertação de mestrado em ciência da religião. são paulo: puc/sp, 2007. disponível em: . acesso em: 30/07/2009.
    [7] cavalcanti, op.cit, p.49.
    [8] apud. araújo da silva, op.cit.

  • loewe apresenta como se dá a divisão do cântico segundo essa interpretação alegórica.[9] a primeira parte do cântico (ct 1.2-3.6) refere-se ao êxodo do povo de israel, a construção do tabernáculo e a entrada triunfal em canaã. a segunda parte (ct. 3.7-5.1) refere-se a construção do templo de salomão e a sua dedicação. nessa ocasião deus convida israel a compartilhar do templo, comparando sua castidade à da noiva. a terceira parte (ct. 5.2-6.1) refere-se ao pecado de israel e a perda das duas tribos e meia. neste trecho são narrados a paixão de israel por deus e também como os profetas ajudaram o povo a redescobrir seu amor por meio do arrependimento. na quarta parte (ct. 6.2-7.11) deus aceita a oração de israel e louva sua devoção e culto. a quinta parte (ct. 7.12-7.14) refere-se ao exílio babilônio e a noiva (israel) pede que sua intimidade seja renovada com o (noivo) deus. neste momento deus assegura que os gentios não poderão dissolver o seu amor e que a devoção de israel será recompensada.

    [9] apud. araújo da silva, op.cit.

  • a partir dessa interpretação passamos a entender o motivo pelo qual o livro do cântico dos cânticos passou a ser usado na celebração da páscoa judaica. “a alegria da libertação do egito e da restauração do povo é tanta que a tradição judaica viu por bem compará-la à alegria do noivo e da noiva”.[10] alguns trechos do cântico são citados durante a festa pascal referindo-se a passagens do êxodo, por exemplo, o trecho “pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fendas do barranco... (ct. 2.14a)”, refere-se a passagem do povo de israel pelo mar vermelho onde, “a pomba que se aninhava entre os rochedos era o povo que passava pela brecha, formada pelas águas violentas do mar vermelho”.[11]

    os pais da igreja herdaram o método alegórico de interpretação adaptando-o ao cristianismo. “o cântico seria uma alegoria do amor divino pela alma individual, uma espécie de epitalâmio para as núpcias místicas entre a alma e a divindade”.[12] os exegetas cristãos transferiram o amor de yahweh pelo povo de israel para de cristo pela igreja.

    [10] siqueira apud. araújo da silva, op.cit, p.25.
    [11] pelletier apud araújo da silva, op.cit, p.26.
    [12] cavalcanti, op.cit, p.49.

  • segundo cavalcanti o comentário alegórico cristão mais antigo foi feito pelo bispo hipólito no século iii.[13] para hipólito o pastor do cântico é uma tipologia de cristo, ele é o esposo, e a sulamita, a esposa, é uma tipologia da igreja. a crucificação de jesus para ele consuma o casamento de deus com a humanidade, o cântico representa as núpcias de cristo com a igreja. araújo da silva diz que hipólito em suas homilias vê as incursões feitas pelo esposo como trechos referindo-se a história da salvação.[14] no trecho do texto “a voz do meu amado! vejam vem correndo pelos montes, saltitando pelas colinas” (ct 2.8), hipólito alegoriza da seguinte maneira:

    o verbo saltou do céu para dentro do corpo da virgem maria, do ventre sagrado saltou para cima do madeiro; do madeiro, para o fundo do inferno e daí para carne da humanidade na terra. oh! nova ressurreição! logo em seguida o verbo saltou da terra para o céu, ali se assentou à direita do pai, de onde voltará, num salto, para a salvação final. [15]

    [13] cavalcanti, op.cit.
    [14] araújo da silva, op.cit.
    [15] pelletier apud araújo da silva, op.cit, p.33.

  • segundo orígenes a mulher do cântico é a rainha de sabá e o homem é salomão. gomes apresenta um fragmento do texto onde orígenes chama jesus cristo de verdadeiro salomão e compara a rainha de sabá à igreja.[16] assim como a rainha de sabá foi ao encontro de salomão, a igreja oriunda das nações pagãs vai escutar a sabedoria do verdadeiro salomão, jesus cristo. orígenes procura ver nas escrituras a presença de deus no mundo e vê no fervor da esposa do cântico esta presença. na homilia de orígenes citada por pelletier encontramos a seguinte interpretação: “até quando meu esposo me dará beijos por moisés, me dará beijos pelos profetas? são os lábios do esposo que eu desejo tocar; que ele mesmo desça”.[17]

    [16] apud. araújo da silva, op.cit.
    [17] pelletier apud araújo da silva, op.cit, p.35.

  • gregório de elvira (325-392 d.c.) também interpreta o cântico como epitalâmio e os personagens como sendo cristo, o esposo, e a igreja, a esposa. vejamos o seguinte trecho de sua interpretação:

    tendes ouvido, amadíssimos irmãos, o poema nupcial que o espírito santo pregou pelo íntegro profeta salomão com a voz do esposo e da esposa, isto é, de cristo e da igreja como cântico alegórico de suas bodas celestes, quando cristo, o esposo, e a alma, a esposa, se prometem mutuamente em casto matrimônio e se fizeram uma só carne, isto é, deus e homem. que o esposo é cristo e a esposa a igreja, comprova-o a divina escritura, quando joão, o batista disse de cristo no evangelho: quem tem a esposa é o esposo; porém o amigo do esposo, que está presente e ouve a sua voz, alegra-se muito.[18]

    [18] gregório de elvira apud araújo da silva, op.cit, p.34,35.

  • ambrósio (340-?) também utiliza-se da alegoria para interpretar o cântico, na verdade ele usa o cântico para explicar o sacramento do corpo e do sangue de cristo na sua obra sobre a eucaristia. vejamos algumas partes desta interpretação:

    ambrósio utiliza ct. 1.2a “que me beije com beijos de sua boca” afirmando que jesus cristo chama o cristão, ou a sua alma ou a igreja e lhes dirige o versículo de ct. 1.2 e explica que esse chamamento, ou melhor, este convite é feito porque cristo vê que a pessoa está pura dos seus pecados e a julga digna dos sacramentos celestes. prossegue utilizando a seguinte tradução de ct. 1.2b: “porque os teus seios são melhores que o vinho” e esclarece que os pensamentos, os sacramentos de cristo são melhores que o vinho que tem a alegria mundana e passageira, diferente do sacramento que têm a alegria espiritual. e estende sua explicação a ct. 1.3b “teu nome é como óleo escorrendo, e as donzelas se enamoram de ti...” esclarecendo que as donzelas são as almas que depuseram a velhice do corpo e estão renovadas pelo espírito santo.[19]

    [19] araújo da silva, op.cit, p. 38,39.

  • ambrósio também é o primeiro a fazer uma interpretação marial do cântico. para ele a personagem principal do livro representa maria “como a amante ideal do mundo”.[20] gietmann diz que o breviário e o missal da igreja católica fazem repetidos usos do cântico aplicando-o a imagem de maria.[21] “na verdade, a noiva adornada com a beleza de uma pureza imaculada e de uma afeição profunda é a imagem mais apropriada da mãe de deus”.[22] segundo rivera o cântico deve ser interpretado como se referindo a virgem maria tanto no sentido literal como no sentido amplo, segundo ele o poema se refere alegoricamente àquela que tinha o privilégio de uma relação especial com cristo.[23]

    [20] cavalcanti, op.cit, p.53.
    [21] apud. cavalcanti, op.cit.
    [22] gietmann apud cavalcanti, op.cit, p.59.
    [23] apud. cavalcanti, op.cit.


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